Empreiteiras fizeram doações a 41% dos parlamentares eleitos
As empreiteiras investigadas no escândalo de desvios de recursos da Petrobras doaram nas eleições deste ano R$ 50 milhões a 41% dos parlamentares do Congresso eleito em outubro. Entre os deputados federais e senadores cujas campanhas mais receberam esses recursos diretamente ou por meio dos partidos ou comitês de campanha , figuram integrantes do PP, PMDB, PT e de partidos da oposição, como DEM e PSDB. Ao todo, 243 receberam doações de oito das nove empresas investigadas. Na lista dos 15 que obtiveram as maiores contribuições, há três deputados do PP (Partido Progressista) do Paraná: Nelson Meurer, Dilceu Sperafico e Ricardo Barros. Todos negaram ter mantido contato com as empresas e disseram que os recursos foram direcionados pela direção nacional do partido.
De acordo com depoimentos dados à Polícia Federal, o PP é uma das legendas que está no centro do esquema desbaratado pela Operação Lava jato e que tinha como operador o doleiro Alberto Youssef, preso desde março.
No PT e no PMDB, aparecem na lista dos que mais receberam doações registradas o deputado Lucio Vieira Lima (PMDB-BA), que é membro titular da CPI mista da Petrobras, a senadora Katia Abreu (PMDB-TO), os deputados Carlos Zarattini (PT-SP) e Luiz Sérgio (PT-RJ), além do senador eleito Paulo Rocha (PT-PA), absolvido no processo do mensalão.
No campo da oposição, figuram na lista os senadores eleitos José Serra (PSDB-SP), Antonio Anastasia (PSDB-MG) e Ronaldo Caiado (DEM-GO), além dos deputados eleitos José Carlos Aleluia (DEM-BA), Alberto Fraga (DEM-DF) e Alexandre Leite (DEM-SP).
O congressista eleito cuja campanha mais foi abastecida pelas empresas investigadas é o futuro senador Otto Alencar (PSD), vice-governador da Bahia, filiado ao PP até 2011. Sua campanha recebeu R$ 2,2 milhões da OAS, Odebrecht e UTC. As doações foram registradas legalmente na Justiça Eleitoral e não há notícia de que estejam sob suspeita ou investigação.
* Segundo as investigações, empreiteiras seriam beneficiadas em licitações de grandes obras públicas por meio de pagamento de propina (dinheiro fornecido de forma ilegal)
* Investigação faz parte da Operação Lava Jato, deflagrada pela Polícia Federal em 17 de março de 2014 para apurar um esquema de lavagem de dinheiro suspeito de movimentar mais de 10 bilhões de reais
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