Empreiteira possuía setor só para pagar propina
A Odebrecht, uma das maiores construtoras do Brasil, tinha um departamento estruturado só para pagamento de propinas. A empresa foi o principal alvo da 26ª fase da Operação Lava Jato, chamada Xepa, deflagrada semana passada pela Polícia Federal (PF) em várias cidades do Brasil.
Segundo a Força Tarefa da Lava Jato, através do "Setor de Operações Estruturadas", a Odebrecht mantinha uma espécie de contabilidade paralela responsável por pagamentos ilícitos. A estimativa é que pelo menos R$ 66 milhões foram distribuídos a pessoas relacionadas a diversas obras e serviços, não só federais, mas também estaduais e municipais.
Esse valor foi identificado em apenas uma das contas administradas pelo departamento de pagamento de propina da empreiteira. Entre essas obras estão Arena Corinthians, em São Paulo; o Porto Maravilha, no Rio de Janeiro; e o Canal do Sertão, em Alagoas.
Segundo a Força-tarefa da Lava Jato, o departamento de propinas foi encerrado no final do ano passado, após ter funcionado por aproximadamente seis anos, e as provas foram destruídas. As planilhas de pagamentos ilegais foram descobertas na casa de uma das funcionárias desse departamento, Maria Lúcia Guimarães Tavares, detida na 23ª fase da Lava Jato, a "Acarajé", quando foram presos também o marqueteiro do Partido dos Trabalhadores (PT), João Santana, e a mulher dele, Mônica Moura. Maria Lúcia era responsável pela organização dos pagamentos ilícitos da Odebrecht. Ela fechou acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal, que já foi homologado.
Suborno ou quantia que se oferece ou paga a alguém para induzi-lo a praticar atos ilícitos, ou seja, contra a lei, e obter vantagens
Expressão utilizada para uma relação entre juiz e réu, também chamado de acusado. Caso ele forneça informações importantes sobre o crime, sua pena pode ser reduzida
O Programa Folha Cidadania é o desafio social da Folha de Londrina no combate ao analfabetismo funcional





