São Paulo - Quando elege suas prioridades o eleitor tem uma postura cristalina. As pesquisas de perfil que apuram as demandas do eleitorado em 2004 mostraram que dois temas sensibilizam e mobilizam o eleitor desemprego e saúde. Quanto ao desemprego, o eleitor sabe que o prefeito não pode resolvê-lo, mas pode encaminhar políticas públicas de estímulo à geração de emprego. Quanto à saúde, existe uma expectativa total.
Segundo a analista de pesquisas Fátima Pacheco Jordão, a rede pública de saúde foi sobrecarregada nos últimos anos porque muita gente perdeu o emprego ou o serviço de saúde subvencionado pelas empresas. As unidades se mostraram despreparadas quanto ao número de profissionais disponíveis e frequentemente desabastecidas em medicamentos. A preocupação com a saúde tornou-se vital e superou as antigas reivindicações por segurança (uma demanda que caiu para terceiro lugar nas prioridades do eleitor).
''O eleitorado quer saber se o candidato já fez coisas concretas. Se fez, quer vê-las sem muito balangandã, sem papel de presente'', diz Fátima. ''Os eleitores querem coisas factíveis, concretas. E está rechaçando, também, toda e qualquer improvisação'', completa Rubens. Mas, se avançou por um lado, retrocedeu por outro. Fátima anota uma involução institucional no desprezo às claras opções ideológicas e aos alinhamentos partidários, depois que a frustração com as promessas de Lula nivelou os partidos e os políticos. ''Como todos os políticos são iguais, o eleitor resolveu ser pragmático para escolher o melhor'', assinala Fátima.

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