Curitiba - O ex-prefeito de Paranaguá Mário Roque (PMDB) foi empossado ontem na Assembleia Legislativa. Ele assumiu a cadeira de Fernando Ribas Carli Filho (PSB) que renunciou ao mandato. A posse de Roque, marcada para hoje, foi antecipada. Em entrevista à imprensa, Roque disse que ainda não se reconciliou com o governador Roberto Requião (PMDB), mas que, dentro do Legislativo, deve seguir orientação da bancada da situação. ''Não me arrependo do que fiz, mas não vou trazer o caso para a Assembleia, para criar um ambiente sem harmonia. Quando for necessário, vou votar com o governo do Estado. Quando não for, não vou votar'', declarou.
Nas eleições do ano passado, uma gravação com ataques feitos por Roque contra a gestão Requião foi divulgada na internet. Nela, Roque fez críticas especialmente ao trabalho de Eduardo Requião - irmão do governador -, na época à frente da Superintendência dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa). Apesar das declarações, Roque permaneceu no PMDB, mas informou que não chegou nem a encontrar com Requião após o episódio. ''Eu e ele não nos desculpamos'', comentou o agora deputado.
Lideranças do PMDB na Casa também trataram ontem de amenizar a ''briga''. O deputado Alexandre Curi (PMDB) afirmou que o episódio já foi superado. ''É passado. Roque vai votar com o PMDB'', garantiu ele. Em discurso na tribuna, Roque disse que dará especial atenção ao Litoral, região que, segundo ele, ''está atrasada em relação ao restante do Estado''. Carli Filho era da região de Guarapuava e mantinha afinidade com a bancada da oposição.
Infidelidade partidária
O deputado Reni Pereira (PSB) anunciou ontem que a sua sigla vai entrar no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Paraná para tentar recuperar o mandato assumido por Roque. O comando do PSB defende que a cadeira pertence ao segundo suplente da legenda nas eleições de 2006, o advogado de Maringá Wilson Quinteiro, já que, embora eleito pelo PSB, Roque mudou para o PMDB no segundo semestre de 2007.
O advogado do PSB no caso, Guilherme Gonçalves, disse ontem à Reportagem que Roque ''não se enquadraria'' em nenhuma das justificativas de desfiliação permitidas pela resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que trata da perda de mandato por infidelidade partidária. ''Ele não sofreu perseguição ou discriminação. Ele saiu do PSB por conveniência política'', afirmou.
Roque alega que foi pressionado a deixar a sigla depois que foi convidado pelo governo do Estado para assumir uma secretaria especial ligada ao Litoral.

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