Curitiba - Ao tomar posse ontem na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, o deputado estadual Felipe Lucas (PPS) afirmou que estuda pedir o salário retroativo dos 15 meses em que Alceu Maron Filho (PSDB) ocupou sua cadeira na Casa. O tucano perdeu o mandato por infidelidade partidária após ter trocado o PPS pelo PSDB, em 2011, no entanto, até a decisão final do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tomada em março, se manteve no cargo amparado por uma liminar. Os parlamentares recebem hoje R$ 20,042,34 por mês, o que resultaria em um reembolso de R$ 300.635.
"Se houver condições e brechas na lei, vou pedir sim. Nem que não seja para mim, que seja para alguma entidade filantrópica ou que seja devolvido à própria Assembleia. Acho que é justo", disse Lucas, que já exerceu mandato na AL em outras legislaturas. Natural de Rio Azul, mas criado em Irati, ele alega que o centro-sul do Estado ficou prejudicado durante sua ausência da AL. "Talvez eu não tenha sido tanto, porque continuei na minha atividade profissional, como médico, mas vejo que a região perdeu."
Maron era suplente da coligação, tendo entrado na AL depois que Marcelo Rangel (PPS) assumiu a Prefeitura de Ponta Grossa. Na época, ele trocou de legenda para concorrer à Prefeitura de Paranaguá, no Litoral - acabou em terceiro lugar. O partido entrou então com a ação contestando a desfiliação, o que gerou o imbróglio.

Independência
Com a posse de Felipe Lucas, o PPS voltou a contar com três representantes no Legislativo - os demais são Douglas Fabrício, que ocupa a 2ª vice-presidência da Casa, e Tercílio Turini, novo líder da bancada. O número permitiu à legenda aumentar o tempo de fala em plenário de cinco minutos semanais para dez minutos diários.
Na sessão de anteontem, Turini adiantou que irá propor aos colegas que o partido devolva os cargos da administração estadual, tornando-se independente. Segundo ele, uma primeira conversa aconteceria na noite de ontem, após a sessão. De qualquer forma, porém, a expectativa do londrinense é levar a ideia para discussão mais ampla na reunião da executiva estadual, marcada para segunda-feira, às 18 horas.
O líder do governo na AL, Ademar Traiano (PSDB), falou que não cabe a ele questionar o posicionamento do PPS. "Nós não podemos de forma alguma querer impor uma condição para alguém se manter na base de apoio. O PPS foi um grande parceiro, desde a eleição para prefeito (de Curitiba) do governador Beto Richa, e, portanto, espero que reavalie essa decisão. Mas se ela ocorrer, teremos de respeitar."

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