Empatia da população pode facilitar governo de Lula
PUBLICAÇÃO
domingo, 10 de novembro de 2002
Patrícia Paixão<BR>Agência Folha 
São Paulo Mais do que presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva parece ter sido escolhido nas eleições do último dia 27 como ''pop star''. Por onde quer que vá, desde que foi eleito, ele quebra o protocolo de segurança para tentar se aproximar dos diversos simpatizantes que se aglomeram ao seu redor.
Para o professor do departamento de Ciência Política da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Francisco Fonseca, o assédio da população ao presidente pode ser considerado positivo, e é resultado de um sentimento de esperança. ''A população acredita que Lula, por suas propostas e histórico social, é a esperança na luta pelo fim das desigualdades. Esse sentimento de empatia é normal, nessa situação, e dá um grande capital de credibilidade a Lula para que ele possa governar mais facilmente.''
Fonseca disse não acreditar que esse assédio possa se transformar num ''messianismo'' porque, segundo ele, o carisma de Lula estaria respaldado pela forma de governar que ele propõe. ''Governar através de um 'pacto social', ouvindo diversos setores da sociedade, dá respaldo para que essa simpatia não vire uma coisa negativa. Lula conta com a confiança de diversos grupos quando mostra que não fará mudanças sozinho.''
O cientista político André Marenco, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), também não vê contornos de messianismo no futuro governo. ''Nem o PT e nem Lula dão o menor sinal de que vão alimentar um sentimento de messianismo na figura do presidente. No messianismo, tem de haver necessariamente inimigos para que o líder se sobressaia, atacando os que são contra ele e prometendo ''salvar'' os oprimidos. Ele, inclusive, tem convidado os inimigos para participar de seu governo.''
Marenco concorda com Fonseca que a empatia conquistada por Lula é positiva. ''Um presidente popular tem muito mais margem de manobra para negociar com o Congresso, a oposição, o empresariado e outros setores. Além disso, o grau de confiança que Lula conquistou dará um fôlego para que ele possa fazer as mudanças que promete com mais calma no governo. ''
Marenco acredita que o ''corpo-a corpo'' mantido agora por Lula será substituído, após sua posse, por um modelo de contato de ''canais de interlocução''. O cientista acredita que o ''corpo-a-corpo'' com a população típico de governos populistas destoa da linha do PT.


