Brasília - Quase todos os parlamentares andam hoje nos trinques. Mas antes das TVs Câmara e Senado, boa parte deles pouco se importava com a aparência. Ninguém os via mesmo. Quando deputado, o atual senador Heráclito Fortes (PFL-PI) era um exemplo de homem amarrotado, com um paletó que nunca fechava na barriga. Com o surgimento da TV, ele passou a se preocupar. Emagreceu e veste ternos bem passados, com vincos que se destacam.
Outro tipo todo amarfanhado era o líder do PFL, José Carlos Aleluia (BA). Como aparece a todo instante às câmeras, deu um jeito nos trajes. Anda sempre de terno escuro, bem barbeado. Antes, de tão frouxo, o par de óculos caía nariz abaixo quando discursava. Agora, usa armação muito fina, de forma a não causar nenhuma sombra no rosto. Há exceções, porém. Uma delas é o relator da reforma tributária, deputado Virgílio Guimarães (PT-MG). Ele parece não se importar com nada. Usa calças jeans e continua a vestir paletós que, aparentemente, não foram feitos para ele, de tão curtos; ou gravatas que não chegam à altura do estômago.
Também por causa da TV aumentou o número dos chamados papagaios de pirata atrás das mesas diretoras. O papagaio é aquele que, sem ser o foco das câmeras, dá sempre um jeito de aparecer na imagem. Chega antes para não perder o burburinho e só vai embora quando se apagam os holofotes. O deputado Robson Tuma (PFL-SP) é campeão neste torneio, sempre pronto a oferecer seu perfil para as câmeras; a vice é a deputada Laura Carneiro (PFL-RJ) que, adepta das cores fortes, como o amarelo e o vermelho, às vezes deixa as costas nuas para o registro da TV. O vice-presidente da Câmara, Inocêncio Oliveira (PFL-PE), que é gago, fez um tratamento e hoje consegue dominar os microfones sem que alguém perceba seu antigo problema.

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