Paulo Wolfgang/Folha de LondrinaApoiosEmília Belinati: ‘‘de uns dias para cá a coisa melhorou, com o apoio do PPB, e eu estou confiante mesmo’’Emília quer ser a 1ª senadora do PR
A vice-governadora costura apoios e acredita que seu nome será o escolhido para disputar a vaga ao Senado
Disposta a brigar por sua candidatura ao Senado com o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca e o ex-governador Paulo Pimentel, ambos do PFL, a vice-governadora Emília Belinati (PTB) afirma: ‘‘Se eu não acreditasse na possibilidade de minha candidatura, não continuaria colocando meu nome à disposição’’. Emília diz que o Senado não é um projeto seu, isolado. ‘‘É a população, através das pesquisas, que está dizendo’’, argumenta, baseando-se em consultas que apontam sua liderança no Norte do Estado quando o assunto é Senado.
Emília Belinati disse que ‘‘sempre esteve animada’’, mas afirma ter recebido nova ‘‘injeção de ânimo’’ na semana passada com moções de apoio à sua candidatura pela direção nacional, estadual, deputados e até mesmo pelo PPB. ‘‘De uns dias para cá a coisa melhorou e estou confiante mesmo. Falei com o Janene (José, presidente estadual) e ele disse que o partido está disposto a abrir mão da vaga ao Senado para nos apoiar’’, garantiu.
Ela diz que espera não só ser indicada, mas eleita para ser ‘‘a senadora da defesa’’. ‘‘A população pode contar comigo na defesa do nosso Estado. O Paraná já tem adversários demais’’, acredita.
Discreta e avessa a polêmicas, ela mantém o estilo e faz uma análise sem ataques aos adversários. ‘‘Os senadores Osmar Dias e Roberto Requião têm o valor deles, mas são adversários políticos nossos’’, argumenta. ‘‘Creio que uma atitude mais paranista poderia ter feito os recursos autorizados pelo Senado chegarem antes’’, analisa, relembrando o bloqueio dos empréstimos do Estado na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE) por quase dois anos.
A seguir, os principais trechos da entrevista que a vice-governadora Emília Belinati concedeu à Folha:
Folha: Se a senhora conseguir a vaga, como pretende fazer sua campanha e quais serão as suas principais metas como candidata a senadora?
Emília Queremos aproximar Brasília do Paraná defendendo a recuperação das receitas do Estado. O Paraná, ao longo dos anos, tem perdido recursos tanto com a lei Kandir (que desonerou o ICMS das exportações) como com a energia elétrica. Mas para lutar por essas questões é fundamental a união das lideranças do Paraná. Unir as forças vivas que acreditam no crescimento e no desenvolvimento econômico. A população está cansada de ver as lideranças divididas. Tem que ter mais gente a favor. O Paraná já tem adversários demais. A população tem de saber que pode contar comigo na defesa do nosso Estado. Sou alguém que está disposta a brigar pelo seu Estado com transparência, franqueza, honestidade e seriedade. O político sério tem de estar disposto a dialogar, conversar. Fazer diagnóstico e crítica é fácil. Mas a questão é: como trabalhar com o palpável? A política tem de ser feita dentro de um contexto realista e coerente.
Folha A cobrança do pedágio não está sendo criticada apenas pela população, mas tornou-se um tema recorrente que deve ser muito bem explorado neste processo eleitoral. O que a senhora acha da cobrança?
Emília O ideal, é claro, seria não precisar cobrar. Mas quando assumimos o governo, havia muitas cidades-fantasma. A população, sem emprego, sumia das localidades. Principalmente a juventude e pessoas em idade produtiva eram expulsas de suas cidades que não tinham infra-estrutura, qualidade de vida. O Anel de Integração possibilita o desenvolvimento econômico de uma região. Quando uma empresa ou uma indústria procura o município para se instalar, ela procura boas estradas que possam fazer chegar e sair o seu produto. Se a estrada não chega, o desenvolvimento também não aparece. Como o governo federal abandonou as estradas e o governo do Estado não tinha recursos para investir nas rodovias, a iniciativa privada fez. Nós íamos continuar de braços cruzados vendo pessoas continuarem morrendo e a safra se perdendo nas estradas ruins? O governo teve a coragem de fazer. Não dá para parar no tempo.
Folha A senhora pretende continuar adotando esse tom conciliatório e discreto durante a campanha?
Emília Sei que a tendência da campanha é um bombardeio, mas ninguém aguenta mais ouvir ataques pessoais. Se for crítica pessoal, com certeza ela será rechaçada pelo eleitor. A população quer propostas, quer saber o que vai melhorar para o cidadão e sua família. E o estilo da gente trabalhar todo mundo conhece: com transparência, coerência, respeito e postura ética.

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