Emília quer reduzir as desigualdades sociais
PUBLICAÇÃO
sábado, 02 de janeiro de 1999
Patrícia Zanin 
Emília Belinati (PTB), 53 anos, assume seu segundo mandato de vice-governadora com a proposta de buscar realizar o sonho de mais paranaenses. Existem sonhos tão pequenos que são possíveis de realizar, explica Emília. Ela acredita que a tarefa do governo é tornar realidade os sonhos de muitas pessoas para diminuir desigualdades sociais. A vice cita como exemplo o caso de um agricultor de 70 anos que, recentemente, ao ser atendido pelo programa Paraná 12 Meses, declarou que teve seu grande desejo concretizado: o de ter dentro de casa um chuveiro com água quente. Pelo programa ele construiu uma cozinha e um banheiro, a fundo perdido, relata.
Ela acredita que o governo, no primeiro mandato, já conseguiu garantir o sonho de muita gente como o do pequeno agricultor. O governo fez, de forma concreta, mas sozinho não consegue dar todas as respostas, explica. Ela pede ajuda à sociedade. Serão tempos difíceis, de muito trabalho, não só do governo, mas que exigem a participação de todos os paranaenses.
Emília disse que o desentendimento com governador Jaime Lerner (PFL) - eles estão rompidos porque ela não concorda com a indicação do secretariado, para o qual garante não ter sido consultada - não vai atrapalhar seu trabalho como vice. O compromisso com o Paraná continua, afirma.
Ela promete continuar trabalhando bastante pelo povo. Ouvir e interpretar os anseios do cidadão e ser uma aproximação do governo com a população, explica. Emília Belinati disse que pretende viajar ainda mais por todas as regiões do Estado para executar esse papel. O Estado é tão lindo, tão grande, tão forte, tão rico, mas tem tantas desigualdades sociais que a gente precisa conversar com as pessoas, interpretar suas ansiedades para encontrar o caminho da igualdade.
Apesar das dificuldades econômicas, Emília Belinati confia na sequência dos projetos do governo. É o nosso grande desafio: dar prosseguimento à industrialização, à melhoria na educação e na qualidade de vida. Ela acredita que a população espera do segundo mandato um incentivo maior à agroindustrialização, além de mais investimento em segurança. O emprego precisa chegar ao campo e a segurança tem de melhorar.
Emília Belinati, que vive sua segunda experiência como vice, iria disputar uma vaga ao Senado em outubro. Mas abriu mão para compor novamente com Lerner. Ela começou sua carreira política por influência do marido, o prefeito de Londrina Antonio Belinati (sem partido), com quem é casada há 30 anos e tem três filhos - Simone, Cyntia e Antonio Carlos, eleito deputado estadual.
Na primeira gestão de Belinati na prefeitura (1976-1982), Emília presidiu a Associação de Proteção à Maternidade e à Infância. No segundo mandato (89-92), foi presidente do Provopar. Em 91, foi eleita deputada estadual. Em 93, foi relatora da CPI que investigou as condições de vida e trabalho dos bóias-frias, além da exploração da mão-de-obra infantil no campo. Por dois anos consecutivos, o grupo de jornalistas que cobre as atividades na Assembléia Legislativa elegeu Emília a melhor parlamentar do Estado. No primeiro mandato de Lerner, Emília assumiu o governo interinamente por 25 vezes.
Antes de iniciar na política, Emília foi atleta da Seleção Paranaense de Basquete, em 62 e 63 e, em 74, graduou-se pela Faculdade de Educação Física e Desportes do Paraná, em Curitiba. Deu aula durante dez anos em três colégios estaduais de Londrina.


