Emília pode assumir governo
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sexta-feira, 12 de maio de 2000
Rubens Burigo Neto De Curitiba 
A assessoria da vice-governadora Emília Belinati (PTB) afirmou que não existe a menor possibilidade de ela pedir licença do cargo para não assumir o lugar do governador Jaime Lerner (PFL), caso ele confirme viagem para o exterior nas próximas semanas. Na hipótese de um pedido de afastamento da vice, quem assumiria o cargo seria o presidente da Assembléia Legislativa, Nelson Justus (PTB). A assessoria de Emília também informou que o gabinete da vice-governadora não recebeu nenhuma comunicação de que Lerner vai viajar.
A assessoria de Lerner garantiu que não há nenhuma viagem para o exterior definida para as próximas semanas, mas também não descarta essa possibilidade. O governador também afirmou não ver o menor problema em Emília responder pelo comando do Executivo enquanto ele se ausentar. Ela está sendo investigada pelo Ministério Público (MP) de Londrina.
Emília pode assumir o governo, caso Lerner faça parte da comitiva que vai para a França, entre os dias 21 e 27 deste mês. A viagem está sendo organizada pela Federação da Agricultura do Paraná (Faep), para recebimento, por autoridades e produtores de bovinos e bubalinos do Estado, do certificado de área livre de febre aftosa.
Outra possibilidade é de o governador acompanhar a mulher, Fany Lerner, numa viagem aos Estados Unidos para avaliação de saúde que pode acontecer no final deste mês.
Lerner tem evitado fazer comentários sobre denúncias contra a família Belinati, alegando que esta é uma questão sub-júdice. Na Assembléia Legislativa, fala-se, porém, que Emília deve mesmo se licenciar do cargo, enviando o pedido de afastamento no mesmo dia em que Lerner solicitar à Assembléia uma autorização para viajar. Segundo sua assessoria, Lerner considerou estranhos os questionamentos de que causaria constrangimento político ao Palácio Iguaçu a vice-governadora assumir.
A investigação que envolve a vice-governadora se refere a depósitos em sua conta bancária pessoal de recursos que teriam sido desviados da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb). A promotoria pediu à Justiça quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico, além da indisponibilidade de bens da vice, de seu marido, o prefeito de Londrina Antonio Belinati (PFL), de seu filho, o deputado estadual Antônio Carlos Belinati (PSB) e das duas filhas de Emília. Eles integram, junto com outras 54 pessoas e empresas, a medida cautelar inominada que o MP propôs à Justiça na semana passada.
Uma fonte do meio jurídico informou à Folha que não há problema no fato de a vice-governadora eventualmente assumir o governo. O que existe até agora é uma acusação do Ministério Público. A Justiça ainda não se pronunciou e não haveria impedimento, garantiu.


