A assessoria da vice-governadora Emília Belinati (PTB) afirmou que não existe ‘‘a menor possibilidade’’ de ela pedir licença do cargo para não assumir o lugar do governador Jaime Lerner (PFL), caso ele confirme viagem para o exterior nas próximas semanas. Na hipótese de um pedido de afastamento da vice, quem assumiria o cargo seria o presidente da Assembléia Legislativa, Nelson Justus (PTB). A assessoria de Emília também informou que o gabinete da vice-governadora não recebeu nenhuma comunicação de que Lerner vai viajar.
A assessoria de Lerner garantiu que não há nenhuma viagem para o exterior definida para as próximas semanas, mas também não descarta essa possibilidade. O governador também afirmou não ver ‘‘o menor problema’’ em Emília responder pelo comando do Executivo enquanto ele se ausentar. Ela está sendo investigada pelo Ministério Público (MP) de Londrina.
Emília pode assumir o governo, caso Lerner faça parte da comitiva que vai para a França, entre os dias 21 e 27 deste mês. A viagem está sendo organizada pela Federação da Agricultura do Paraná (Faep), para recebimento, por autoridades e produtores de bovinos e bubalinos do Estado, do certificado de área livre de febre aftosa.
Outra possibilidade é de o governador acompanhar a mulher, Fany Lerner, numa viagem aos Estados Unidos para avaliação de saúde – que pode acontecer no final deste mês.
Lerner tem evitado fazer comentários sobre denúncias contra a família Belinati, alegando que esta é uma ‘‘questão sub-júdice’’. Na Assembléia Legislativa, fala-se, porém, que Emília deve mesmo se licenciar do cargo, enviando o pedido de afastamento no mesmo dia em que Lerner solicitar à Assembléia uma autorização para viajar. Segundo sua assessoria, Lerner considerou ‘‘estranhos’’ os questionamentos de que causaria constrangimento político ao Palácio Iguaçu a vice-governadora assumir.
A investigação que envolve a vice-governadora se refere a depósitos em sua conta bancária pessoal de recursos que teriam sido desviados da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb). A promotoria pediu à Justiça quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico, além da indisponibilidade de bens da vice, de seu marido, o prefeito de Londrina Antonio Belinati (PFL), de seu filho, o deputado estadual Antônio Carlos Belinati (PSB) e das duas filhas de Emília. Eles integram, junto com outras 54 pessoas e empresas, a medida cautelar inominada que o MP propôs à Justiça na semana passada.
Uma fonte do meio jurídico informou à Folha que não há problema no fato de a vice-governadora eventualmente assumir o governo. ‘‘O que existe até agora é uma acusação do Ministério Público. A Justiça ainda não se pronunciou e não haveria impedimento’’, garantiu.

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