A vice-governadora Emília Belinati (PDT) não está disposta a interferir, durante a sua interinidade no Palácio Iguaçu, nas ordens administrativas baixadas pelo governador Jaime Lerner (PFL) ao secretário de Segurança Cândido Martins de Oliveira, determinando o cumprimento das reintegrações de posse já autorizadas pela Justiça do Paraná em áreas de conflito. ‘‘Se tiver que tomar qualquer medida, agirei com cuidado. Sou contra atos de violência e favorável ao diálogo’’, declarou. O governador Jaime Lerner viajou ontem para a Suíça.
Emília deixou claro ontem que as medidas, anunciadas por Lerner na última terça-feira como resposta ao tiroteio entre fazendeiros e sem-terra em Jundiaí do Sul no sábado, só devem ser tomadas depois do seu retorno, marcado para sábado. ‘‘Espero que não tenha que ser cumprida nenhuma reintegração à força. Aposto no diálogo e no bom senso das partes. A violência deve ser condenada parta de onde partir’’, avalia. Segundo a vice, a polícia só deve ser acionada em casos extremos. ‘‘Confio na polícia do Paraná, que tem se mostrado habilidosa’’, emenda.
A Assembléia Legislativa do Paraná retirou por sete sessões da pauta de ontem o veto do governador Jaime Lerner ao projeto de lei que garante a participação obrigatória de um deputado numa Comissão Especial encarregada para acompanhar as ações policiais de desocupações de áreas invadidas. Os deputados que dão sustentação ao governo conseguiram o adiamento.
Lerner, com base num parecer da PGE (Procuradoria Geral do Estado), vetou a proposta de Sâmis da Silva em fevereiro deste ano. O entendimento do Executivo é que tal Comissão Especial fere os artigos das constituições Federal e Estadual referentes à independência dos poderes. (Leia mais sobre os conflitos de terra no Paraná no caderno Folha Cidades)

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