Mário Cesar/Folha de LondrinaFloresEmília é recepcionada com uma chuva de pétalas: Senado é a metaSe depender do ‘auê’ de lideranças comunitárias, do coro de correligionários e das faixas penduradas no auditório do Com-Tour Shopping Center, a vice-governadora Emília Belinati (PTB) será candidata ao Senado em 1998. A festa de sua filiação ao Partido Trabalhista Brasileiro ontem mais parecia pré-lançamento de candidatura. Abaixo da bandeira do PTB, uma faixa enorme anunciava: ‘‘Emília: senadora do Paranᒒ.
A solenidade, com flores, bexigas e música, teve a presença do governador Jaime Lerner (PFL). Para ele, Emília Belinati ‘‘é uma unanimidade em Londrina e no Paranᒒ. Lerner disse que ela deve se sentir à vontade para decidir seu futuro político - repetir a dobradinha de 94 ou disputar uma vaga ao Senado -, mas confessa que se sentiria muito ‘‘honrado’’ em tê-la novamente como vice.
O governador agradeceu o apoio de Emília à aliança PFL-PTB e adotou um discurso de candidato à reeleição, apontando números sobre a ‘‘transformação do Paranᒒ. ‘‘As pessoas me dizem que eu não sou um homem politiqueiro, de grandes lances políticos, mas o que garante a eleição é o trabalho e esse nós estamos fazendo. A transformação está acontecendo, e vai continuar, se o povo quiser’’.
Ele prometeu fazer de Londrina ‘‘um dos centros mais industrializados do Paraná e do Brasil’’. ‘‘Estamos preparando um rol de investimentos que inclui duas novas indústrias’’, anunciou, mantendo a discrição de não revelar nomes antes de fechar os negócios.
O discurso de Emília Belinati foi mais emotivo. Ele agradeceu o governador pelo companheirismo, não deixou de citar o marido Antonio Belinati - ‘‘que organiza a festa, mas fica sentado no meio do povo’’ -, lembrou a união de sua equipe de trabalho, o povo, sua família e Deus. ‘‘Creio num Deus que muda o perfil e a vida do povo e usa os políticos como instrumentos para essa transformação’’.
Ela não esqueceu de citar os companheiros do PDT. ‘‘Foi minha primeira casa e a primeira casa é como o primeiro amor. A gente nunca esquece’’, comparou. A vice alegou ter deixado o partido porque o PDT não prevê coligação com o PFL e isso inviabilizaria ‘‘seu compromisso com o povo e com o governador’’.
Emília Belinati, que ontem ‘estreou’ visual novo - cortou os cabelos -, voltou a dizer que ainda não decidiu seu futuro político. Ela, porém, não esconde um fascínio pelo que poderia ser a candidatura ao Senado. ‘‘Seria a primeira vez na história do Paraná que teríamos uma candidata mulher’’.
O chefe da Casa Civil, Rafael Greca (PFL), pré-candidato ao Senado, torce para Emília repetir a dobradinha com Lerner para 98. Ontem, o presidente estadual do PFL, José Carlos Gomes de Carvalho, o Carvalhinho, declarou em Londrina que ‘‘Rafael pode esperar um pouco mais se Emília decidir tentar o Senado’’. ‘‘Ele está novo, tem 37 anos, uma bela carreira política pela frente e pode aguardar’’. Carvalhinho frisou, porém, que a decisão cabe à vice, ao governador e aos partidos da aliança.
O presidente estadual do PTB, Nelson Justus, concorda com Carvalhinho. ‘‘Emília é nossa prioridade no partido e a decisão sobre o seu futuro político deve ser discutida em conjunto por ela, pelo PTB e pelo governador’’. O prefeito Antonio Belinati (PDT) defende Emília no Senado.
Além dos presidentes estaduais do PTB e do PFL, participaram da filiação de Emília quatro deputados estaduais, o secretário da Educação, Ramiro Wahrhaftig, prefeitos da região e o presidente do diretório municipal do PTB e vice-prefeito de Londrina Alex Canziani. Lideranças comunitárias e religiosas também lotaram o antigo cinema do Com-Tour.

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