Emília diz estar isolada no governo
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sábado, 23 de fevereiro de 2002
Rosane Henn Equipe da Folha 
Curitiba - A vice-governadora Emília Belinati (PFL) admitiu ontem seu isolamento do grupo do governador Jaime Lerner (PFL) e acusou o governo de excluir a população e as principais lideranças paranaenses do processo de discussão sobre os rumos da política estadual.
Eu discordo da forma de Lerner fazer política, embora admire muito a figura do governador. Na minha opinião falta incluir mais pessoas na discussão do dia-a-dia, a população e as lideranças políticas têm que estar incluídas nesse processo. Todas as lideranças políticas se sentem excluídas do atual governo, não é só uma questão da Emília Belinati, e ouço isso constantemente de muitos líderes, afirmou.
Apesar de sempre ter demonstrado fidelidade ao governo, Emília nunca teve retribuição à altura. O Palácio Iguaçu, por exemplo, jamais saiu em defesa da vice quando estourou o escândalo com o ex-prefeito de Londrina, Antonio Belinati (sem partido), marido de Emília, e que culminou com a cassação do seu mandato no ano retrasado.
Agora, Emília pode ser preterida novamente. Lerner sinalizou durante a semana a remota possibilidade de disputar o Senado, vaga pretendida pela vice-governadora. Ela salienta que se Lerner realmente concorrer ao cargo, vai assumir o governo do Estado e cumprirá seu mandato até o dia 31 de dezembro. Caso o governador não concorra a nenhum cargo, hipótese mais provável, a vice diz que será candidata ou ao Senado ou a uma vaga na Câmara Federal. Meu palpite é que ele não deixe o governo e não concorra a uma vaga ao Senado, ressaltou.
Esta será a segunda vez que Emília tentará ser senadora. Em 1998, com a candidatura já sacramentada pelo PTB (seu partido na época), Emília teve o nome vetado à última hora para ceder o lugar ao ex-governador Alvaro Dias (hoje no PDT), no episódio conhecido como acordo branco. Naquele ano eu deveria ter saído ao Senado, pela coligação, depois houve um entendimento de que minha candidatura seria mais forte como vice, por causa do norte do Paraná, justificou.
Se Lerner se desincompatibilizar para concorrer a um cargo legislativo, Emília além de assumir o governo, garantiu que pode disputar o Palácio Iguaçu. Pela legislação, sua reeleição seria proibida, mas como ela estaria ocupando o cargo de governadora poderia, em tese, concorrer à vaga.
As declarações da vice-governadora foram dadas ontem, durante o programa Canal Exclusivo, produzido em parceria com a Folha, pela TV Exclusiva. O programa vai ao ar todos os sábados, às 12h30, e é reprisado aos domingos, às 13h30. A TV Exclusiva pode ser sintonizada no canal 19 da TVA ou em UHF, no canal 59.


