Emília deixa o PDT para filiar-se ao PTB
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segunda-feira, 22 de setembro de 1997
Leandro Donatti Curitiba 
J. Pedro/Folha de LondrinaEscolhaEmília Belinati: indecisa entre disputar a vaga de vice ou candidatar-se a uma cadeira no SenadoA vice-governadora Emília Belinati assina ficha no PTB na próxima quinta-feira, em Londrina. A desfiliação do PDT foi anunciada ontem pela assessoria da vice. Emília enviou carta ao presidente nacional do partido, ex-governador do Rio de Janeiro Leonel Brizola, explicando que o atual quadro político no Paraná forçou o seu desligamento.
A assessoria não confirma a nova sigla, mas o prefeito de Londrina e marido de Emília, Antonio Belinati (PDT), e a direção estadual do PTB entregaram detalhes da festa de filiação, que está programada para acontecer a partir das 13h30min no Com-tour Shopping Center, na avenida Tiradentes. Estarei lá para essa grande festa, promete o prefeito, que passou o dia em Curitiba acertando os detalhes e comunicando a decisão ao governador Jaime Lerner (PFL).
A Folha teve acesso ao conteúdo da carta de Emília à executiva nacional. Na carta, ela elogia o ex-governador Leonel Brizola, explicando que foi no PDT que encontrou guarida para suas convicções públicas. Segundo a vice, só deixa a sigla por se ver impedida de continuar e que não está disposta a entrar em conflito com os princípios que sempre defendeu no PDT. Ela agradeceu ao ex-governador do Rio pelo apoio que recebeu em 94 para ser a vice-governadora do Paraná.
Emília vai, mas Antonio Belinati permanece no PDT. Mesmo sabendo que a orientação nacional é de que o partido faça oposição ao governador Jaime Lerner (PFL) no ano que vem, ele fica para buscar uma flexibilização de Brizola, como forma de garantir independência e futuro apoio à candidatura da vice, que ainda não definiu se o mais vantajoso é concorrer ao Senado ou à reeleição como vice.
O prefeito aposta no baixar da poeira. O Brizola está muito magoado, mas isso passa. Apesar da direção nacional proibir coligações entre o PDT e PSDB, existem alguns estados onde isso não vai ser respeitado. Precisamos esperar os fatos amadurecerem para buscarmos as devidas acomodações, explica Antonio Belinati.
O PTB atende o perfil dela (Emília), que não é nem de direita nem de extrema esquerda, avalia o prefeito. Ele defende a candidatura de Emília ao Senado, mas admite que há dificuldades para a indicação. Tudo caminha para que ela (Emília) continue a ser a vice na chapa de Lerner, analisa.
O presidente estadual do PTB, secretário da Indústria e Comércio Nelson Justus, disse ontem que as costuras caminham para a repetição da chapa lançada em 94. Em time que está ganhando não se mexe. Se houver disposição pessoal da nossa vice-governadora, ela poderá ser candidata à reeleição ao mesmo cargo, afirma o secretário.
O presidente da Assembléia, Aníbal Khury (PFL), no entanto, não tem a mesma posição. Para ele, a definição partidária de Emília veio tarde e a vaga de vice deverá ser disputada com o secretário da Agricultura, Hermas Brandão (PTB). Observamos nela (Emília) uma disponibilidade em concorrer ao Senado. O Hermas já está lançado, disse.


