Emília deixa ao PDT decisão sobre futuro
PUBLICAÇÃO
sábado, 09 de agosto de 1997
Leandro Donatti Curitiba 
CautelaA vice-governadora Emília Belinati, sem manifestar preferência por cargos, deixa decisão para o partidoA vice-governadora Emília Belinati (PDT) vai deixar a cargo do PDT a definição do seu futuro político. Ela não refletiu ainda sobre a oferta feita pelo governador Jaime Lerner, durante a reunião reservada que serviu para aparar as arestas entre os dois, e não sabe se vai concorrer novamente como vice de Lerner ou se disputa, desta vez, a vaga do Paraná no Senado. Fico grata pelo incentivo dado pelas pesquisas. Sempre me indicam bem na disputa pelo Senado. Mas acho que a definição sobre qual cargo vou concorrer não é minha. Deve passar pelo partido, declarou.
A perspectiva de ser a primeira mulher da região Sul do Brasil a postular uma vaga ao Senado atrai a vice Emília Belinati. Mas o desejo pessoal não pode falar mais alto nessas horas, ressalva. Segundo Emília, outro ponto que contribui para aumentar a cautela quanto ao seu futuro político é a indefinição quanto à lei eleitoral que vai vigorar.
Certa de que o PDT é a sigla que melhor lhe acolhe, Emília evita comentar o destino partidário do governador, que, segundo os interlocutores mais próximos de Lerner, estaria com um pé no PFL. Assim como o (Antonio) Belinati, advogo a idéia de que o PDT tem de ficar nas mãos de pedetistas. Enquanto o Lerner não definir para onde vai, não posso fazer uma avaliação de como serão os apoios e as composições, justifica.
Em entrevista concedida à Folha, a vice conta como foi o encontro com o governador, na quinta-feira, e a sua visão de como deve ser o governo Lerner.
Folha - Como a senhora avaliou a disposição do governador Jaime Lerner em deixar a seu critério a escolha do cargo a concorrer? Foi demonstração de que está disposto a não criar polêmicas com a senhora ou reconhecimento do seu direito em concorrer?
Emília - Em política, não tem esta história de direito adquirido. Eu sempre me pautei pelo respeito e pelo diálogo. Não quero me impor como candidata. Acho que ele (Lerner) avalia o meu nome como boa opção de candidatura, mas isso independe de nós. As regras para as eleições do ano que vem não estão definidas.
Folha - A senhora está querendo dizer que tem vontade de ficar no Palácio Iguaçu, se passar a desincompatibização e o governador for forçado a deixar o governo em abril?
Emília - (silêncio) Eu acho que não vigorará a desincompatibilização. Mas se isso acontecer, é bem possível que eu fique. É o que as pessoas que votaram em mim como vice-governadora esperam. Não quero dar a minha opinião sobre isso ainda, mas posso afirmar que em todas as vezes que assumi o Palácio (20 ao todo) trabalhei pela harmonia.
Folha - A conversa de quinta-feira com Lerner foi suficiente para aparar as arestas que diferem a sua linha de atuação com a do governador e que poderiam levar a um rompimento político nas eleições de 98?
Emília - Foi um encontro oportuno para o começo de um diálogo. Uma coisa natural, que é sempre importante que aconteça. O episódio ocorrido durante a última interinidade, que me levou a tomar posição firme, está encerrado. Em sempre agi com respeito quando assumi o governo. E tenho uma preocupação voltada à governabilidade.


