Emília assume os riscos da interinidade
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sexta-feira, 09 de junho de 2000
Leandro Donatti De Curitiba 
A vice-governadora Emília Belinati (PTB) decidiu assumir os riscos políticos de uma interinidade em meio ao escândalo AMA-Comurb envolvendo o marido, o prefeito afastado de Londrina Antonio Belinati (PFL). A informação foi confirmada por várias fontes consultadas pela Folha em Curitiba durante o dia de ontem. Emília passou a manhã reunida com o governador Jaime Lerner (PFL), no Palácio Iguaçu, acertando os detalhes de sua posse.
Apesar da cortina de fumaça criada por Lerner que ainda não assume oficialmente sua viagem ao exterior a vice está pronta para assumir o governo já na terça-feira, dia 13. Salvo mudança de última hora, o governador fica até o dia 19 em Nova York acompanhando a mulher, a primeira-dama e secretária da Criança e Assuntos da Família, Fani Lerner, em exames médicos.
Na conversa, Emília e Lerner abriram o jogo. Os dois falaram sobre as repercussões políticas da interinidade e sobre as pendências políticas que rondam o governo, dentre as quais a greve dos professores da rede estadual que caminha para 20º dia. A oposição também entrou em pauta.
Como se não bastasse o impasse criado com a APP-Sindicato, que promete uma megamanifestação para a próxima terça-feira em Curitiba, a oposição ao governo Lerner na Assembléia Legislativa promete pegar pesado e entrar na Justiça contra a vice-governadora. Os deputados estaduais alegam que as suas ligações com Belinati a inviabilizam pelo menos até que o Ministério Público (MP) local conclua as investigações, iniciadas há cerca de um ano.
A vice não entende assim. Sob o ponto de vista político, Emília tem consciência de que sai enfraquecida se não assumir. Ontem, depois do encontro com Lerner, a vice viajou para Londrina. Emília passa o final de semana na cidade e retorna no domingo à noite para Curitiba.
A demora nas investigações do escândalo AMA-Comurb e as sucessivas derrotas judiciais do marido junto Tribunal de Justiça (TJ) também teriam ajudado na definição da vice. Não faria diferença Emília pedir uma licença médica agora ou a daqui 30 dias. O grupo que dá sustentação à vice entende ainda que a sua interinidade é fundamental para não acentuar ainda mais crise pela qual passa o governo Lerner.
Um grupo de empresários ensaiou um movimento pró-Nelson Justus (PTB) durante a semana. O presidente da Assembléia é o substituto natural caso o governador e a vice fiquem impedidos de assumir. A tese, entretanto, não tomou corpo.
Nos bastidores, Justus teria manifestado ao grupo sua aprovação à atitude da vice, de enfrentar o problema de uma vez. Lerner não estaria tão certo assim, razão pela qual o governador resiste em anunciar o dia de sua viagem com a primeira-dama. A mensagem pedindo a autorização para ausentar-se do País chega aos deputados somente na semana que vem. O texto da mensagem está pronto, mas está embargado por Lerner até segunda ordem. A oposição depende do texto oficial para acionar Emília junto ao Tribunal de Justiça.


