Foi protocolada ontem no Tribunal de Justiça, em Curitiba, uma ação cautelar inominada com expresso pedido de liminar contra a vice-governadora Emilia Belinati (PTB). A ação, ajuízada pelos deputados da bancada de oposição da Assembléia Legislativa – e subscrita pelo PDT, PMDB e PT –, pede a ‘‘proibição da investidura da Senhora Emília Salles Belinati, no cargo de Governadora do Estado, em substituição ao Excelentíssimo Senhor Governador Jaime lerner, durante o período de sua ausência’’. Ontem a Assembléia aprovou a viagem de Lerner pelos próximos seis dias, quando vai acompanhar a mulher, a secretária da Criança e Assuntos da Família Fani Lerner, que fará exames médicos em Nova York até o dia 19.
Lerner embarcou ontem à noite, de São Paulo para os Estados Unidos, e Emília deverá assinar o termo de posse da interinidade hoje pela manhã. O procurador geral do Estado, Joel Coimbra, afirmou que vai aguardar a citação do Tribunal de Justiça para depois se manifestar sobre o caso. Até o fechamento desta edição a ação cautelar ainda não havia sido distribuída para a análise de nenhum desembargador do TJ, o que deve ocorrer até o meio dia de hoje.
Os deputados de oposição aguardam uma decisão favorável também para hoje. ‘‘Nossa argumentação jurídica é muito consistente’’, aposta o líder da bancada, Irineu Colombo (PT).
Na ação, o advogado dos três partidos, Marcello Alvarenga Panizzi, argumenta que Emília Belinati é esposa do prefeito afastado de Londrina Antônio Belinati (PFL) e que ela ‘‘está envolvida como beneficiária de depósitos bancários, dos quais alguns oriundos de atividades ilícitas...tendo ela própria admitido o fato como verdadeiro quando, em documento assinado, prestou esclarecimento no Inquérito Civil Público na Comarca de Londrina’’.
Na argumentação, o advogado diz que ‘‘estes fatos constituem... violação dos princípios que regem a conduta do agente público, e que atentam os princípios da administração pública’’.
O primeiro-secretário da Assembléia, Hermas Brandão (PTB), disse que a medida da oposição ‘‘não tem embasamento legal’’. ‘‘Até agora não há nada que comprove a ligação da vice-governadora com o que o Ministério Público está investigando em Londrina’’, avaliou. O vice-líder do governo, Ademar Traiano (PTB) afirmou que ‘‘não há a menor possibilidade de prosperar’’ a iniciativa do bloco oposicionista.

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