A governadora em exercício Emília Belinati (PTB) partiu para o ataque contra os deputados da bancada de oposição da Assembléia Legislativa. Apesar de demonstrar-se aparentemente tranquila, Emilia, em entrevista à Folha ontem à tarde, considerou ‘‘antidemocrática’’ a tentativa dos deputados em barrar na Justiça a posse dela durante a ausência do govenador Jaime Lerner (PFL), que até domingo ficará nos Estados Unidos.
Governadora em exercício considerou antidemocrática tentativa dos deputados de oposição de barrar sua posse no Tribunal de Justiça. Para ela, a questão é meramente política
‘‘Essa discussão que está sendo feita pelos deputados eu, primeiro, acho anti-democrática. Eu, como eles, recebi o voto da população, para representá-la. Eles, como deputados, e eu como vice-governadora’’, ressaltou Emília. ‘‘Além de não ter fundamentação jurídica (a ação impetrada pelos deputados), fica claro que é uma questão meramente política’’, acusou.
Ontem à tarde, o bloco de oposição impetrou, no Tribunal de Justiça, uma ação cautelar inominada com expresso pedido de liminar para impedir que Emília assumisse no lugar de Lerner. Ela afirmou que soube da ação ‘‘apenas através da imprensa’’, mas que já conversou com o procurador-geral do Estado, Joel Coimbra, que é o representante legal dela no caso.
Durante a entrevista, Emília evitou fazer comentários sobre as denúncias do Ministério Público (MP) de que parte do dinheiro desviado de autarquias municipais (AMA e Comurb) de Londrina teriam sido usados na campanha dela e do filho, o deputado estadual Antônio Carlos Belinati (PSB). Mas afirmou ‘‘que não tem envolvimento nenhum com aquela questão’’ e que a vida política dela sempre foi ‘‘transparente’’.
‘‘É bom que fique bem claro que não existe na minha conta (bancária) nenhum depósito que não tenha sido feito pelo meu marido (o prefeito afastado de Londrina, Antonio Belinati), ou pela minha família, e nenhum depósito oriundo de dinheiro público ou de dinheiro escuso’’, defendeu-se. Na segunda-feira, os deputados de oposição afirmaram ‘‘ter a certeza’’ de que ela recebeu dinheiro público irregularmente.
O líder da bancada de oposição, Irineu Colombo (PT), afirmou que nos documentos obtidos no MP de Londrina há referências a dois depósitos em dinheiro feitos na conta de Emília, da agência Banestado no Centro Cívico, em Curitiba. Segundo os documentos, afirmou Colombo, nos dias 20 de agosto e 16 de setembro de 1998, foram depositados respectivamente, de R$ 3,5 mil e R$ 8,2 mil.
Emília afirmou que ‘‘como mãe e esposa’’ está vivendo um ‘‘processo doloroso’’ desde que começaram as investigações do MP. ‘‘Todo processo de condenação prévia é uma coisa muito dolorida para qualquer pessoa.’’ Apesar de admitir que está ‘‘sofrendo’’, Emília afirmou que assumiu a interinidade ‘‘com a cabeça erguida’’ e que ‘‘o povo do Paraná conhece o meu trabalho de retidão e serenidade.’’

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