A vice-governadora Emília Belinati (PTB) assumiu ontem a disposição a concorrer ao Senado em 98. Uma sondagem eleitoral feita pela Canadá Pesquisa, apontando-a em primeiro lugar com 36,9% dos votos em Londrina, fez a vice de Jaime Lerner (PFL) apressar a sua decisão, marcada para ocorrer somente no ano que vem.
Emília não quer mais disputar a reeleição como vice. Se Lerner e os partidos aliados (PFL-PTB) concordarem na sua indicação como representante do Paraná no ‘chapão’, terá de se desincompatibilizar do governo em abril do ano que vem. A legislação eleitoral só assegura a permanência no cargo para os candidatos à reeleição.
A vice-governadora diz que se sente ‘‘preparada’’ para a disputa ao Senado e invoca a sua experiência como parlamentar e integrante do Poder Executivo como ‘plataforma’. Só no governo Lerner, ela já assumiu o Palácio Iguaçu 24 vezes. A assessoria da vice lembra que, quando deputada estadual, Emília ‘‘destacou-se em diversas áreas, dentre as quais as investigações feitas pela CPI do bóia-fria, a qual dirigiu’’.
Para a vice-governadora, o senador ‘‘antes de mais nada tem de ser um interlocutor da população, que amarre recursos financeiros para governo federal, estadual e municípios em geral’’. Ela aposta ainda no ‘‘bom trânsito político’’ que teria junto aos partidos políticos, tanto da direita como da esquerda.
Emília não deve assumir a tese do seu principal cabo-eleitoral, o vice-prefeito de Curitiba Algaci Túlio (PTB), que exclui o chefe da Casa Civil, Rafael Greca (PFL), do processo. Ela tem receio dos ataques de Greca, que já taxou a tese de ‘‘discriminatória’’. O prefeito de Londrina, Antonio Belinati (PDT), é quem deverá se encarregar disso. Ele concorda com Túlio e entende que a região precisa ser prestigiada na chapa.
A vice conta ainda com o apoio indireto do presidente da Assembléia, Aníbal Khury (PFL). O deputado já aderiu à campanha de Emília, mas tem o objetivo-alvo ‘emplacar’ o nome do secretário da Agricultura, Hermas Brandão (PTB), como vice-governador na chapa de Lerner em 98. O PTB, partido da vice, adotará a diplomacia para não melindrar o relacionamento com o PFL, que pode vir a exigir a indicação.
Greca e o ministro da Previdência, Reinhold Stephanes (PFL), se apresentam hoje como ‘entrave’ na luta pela indicação ao Senado da vice. Ambos tentam buscar espaço e se colocam como candidatos do grupo. Greca diz que o seu trabalho como prefeito de Curitiba e no governo o credencia a concorrer. Enquanto Stephanes afirma que o que vale mesmo é a sua experiência como deputado e ministro.

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