Emília adota 'linha dura' no governo
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terça-feira, 30 de março de 1999
Leandro Donatti 
A vice-governadora Emília Belinati (PTB) está aproveitando sua interinidade para se impor junto ao secretariado. A equipe teria sido orientada pelo governador Jaime Lerner (PFL) para tocar o governo com independência durante a sua ausência. Mas no primeiro dia de exercício no cargo, Emília se estranhou com o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis. A vice discordou da barreira fiscal montada pelo governo estadual para bloquear a compra de carros de São Paulo e de Santa Catarina, com ICMS menor.
O arranca-rabo com Gionédis durou cerca de duas horas anteontem à noite e rendeu um resultado imediato, colocado em prática ontem pelo secretário-chefe da Casa Civil, Pretextato Taborda Ribas. Ele teve de baixar uma circular interna alertando os secretários de que a governadora em exercício gostaria de ser avisada de todos os assuntos relevantes de cada pasta. O documento não tem rodeios. O texto-alerta foi elaborado pelo chefe da Casa Civil depois de um contato telefônico com a vice.
Emília não fala do assunto. Mas, nos bastidores, reclama que não foi informada por Gionédis e por ninguém do governo sobre a resolução do ICMS, que passou a vigorar anteontem. Para dar o troco, no mesmo dia, manifestou-se contra a medida, taxada por ela de inconstitucional. Para não aflorar brigas, refluiu, no entanto, deixando o assunto em banho-maria. Uma fonte no governo garantiu à Folha que a idéia de barreira fiscal está arquivada depois do entrevero com Emília.
A governadora em exercício tratava do assunto ontem como questão encerrada. Não haverá barreira, mas uma fiscalização normal. Não se pode impedir uma pessoa de comprar um produto fora, afirmou. Emília disse que, se houver comprovação de que existem pessoas comprando carros para revender, a questão deve ser analisada sob outra ótica. Mas nunca assim, reforçou.
A Folha deixou recado no celular de Gionédis, mas o secretário da Fazenda não retornou a ligação para dar a sua versão sobre o choque com Emília. Na noite de segunda-feira, depois da conversa com a vice, o secretário evitou transparecer contrariedade. Disse que a barreira fiscal não tinha por objetivo cercear o direito de ir e de vir das pessoas, mas dar um basta a um processo de concorrência desleal que poderia deixar o Paraná em desvantagem.
No segundo dia em exercício, a agenda da governadora em exercício também foi movimentada. Emília Belinati tenta dar um ritmo próprio ao governo durante sua interinidade. A estratégia, que serve para mostrar que o seu estilo é diferente do de Lerner, se acentuou desde o seu rompimento com o governador. Ontem, Emília passou parte do dia negociando pessoalmente com um grupo de professores da rede pública a possibilidade de concessão de abono salarial.
Pela manhã, convocou o secretário de Saúde, Armando Raggio, para tratar dos casos de cólera registrados no litoral do Estado, principalmente em Paranaguá. À tarde, acompanhada do presidente da Fundepar, Segismundo Morgenstern, a governadora em exercício conheceu, em Curitiba, as instalações da Universidade do Esporte. Ex-jogadora da seleção paranaense de basquete, a vice circulou pelo canteiro de obras onde estão sendo construídos três ginásios que devem ser entregues em 50 dias.


