Agência Folha
De Brasília
As emendas apresentadas pelos parlamentares à proposta orçamentária da União para o ano 2000 remanejarão despesas de aproximadamente R$ 4 bilhões, o que representa quase 60% dos investimentos previstos pela equipe econômica. A projeção foi feita pelo presidente da Comissão de Orçamento do Congresso, senador Gilberto Mestrinho (PMDB-AM), que está negociando as alterações com o governo.
Mestrinho e o relator da proposta orçamentária do ano 2000, deputado Carlos Melles (PFL-MG), têm duas opções para realizar as mudanças: cancelar gastos definidos pelo governo no projeto e destinar esses recursos às emendas ou criar novas receitas.
Melles disse que já acatou, no seu relatório, cerca de 8 mil emendas individuais – totalizando despesas de aproximadamente R$ 860 milhões. Para emendas apresentadas por bancadas estaduais e por comissões temáticas da Câmara e do Senado, o relator irá reservar cerca de R$ 2,5 bilhões. O restante (aproximadamente R$ 640 milhões) será destinado às emendas regionais (assinadas por parlamentares de mais de um Estado).
‘‘Estamos recalculando o comportamento das receitas federais para o ano que vem e veremos se é possível acatar as emendas dos parlamentares com base nos novos valores. Caso contrário, vamos fazer cortes em despesas previstas pelo governo’’, disse Mestrinho. A reação do Palácio do Planalto à proposta dele está sendo explicitada pelo líder do governo na Comissão de Orçamento, deputado Alberto Goldman (PSDB-SP).
‘‘Não vejo como é possível encontrar esse valor (R$ 4 bilhões) com cancelamento de despesas ou reavaliação de receitas. A não ser que façamos uma fantasia orçamentária’’, disparou o deputado, antecipando uma disputa que sempre ocorre na comissão entre parlamentares e governo. ‘‘Não vale a pena ver de novo, mas vamos ver esse filme mais uma vez’’, ironizou Goldman.

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