Emendas federais devem trazer R$ 8,4 milhões para Londrina
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domingo, 26 de abril de 2015
Edson Ferreira<br>Reportagem Local 
Londrina - Sancionado na última segunda-feira pela presidente Dilma Rousseff (PT), com quase cinco meses de atraso, o Orçamento da União para 2015 prevê para a Prefeitura de Londrina R$ 8,4 milhões em emendas parlamentares específicas, divididas em individuais e de bancada. O valor equivale a apenas 0,56% do orçamento em execução no município, de R$ 1,49 bilhão. No ano passado, nenhuma emenda específica no orçamento federal foi aprovada para a prefeitura. A reportagem avaliou emendas com destinação exclusiva para a administração municipal, pois os congressistas podem também reservar verbas diretamente para entidades instaladas na cidade.
A maior parte das emendas, R$ 7 milhões, está direcionada para a terceira fase do Teatro Municipal. No entanto, ter o dinheiro empenhado pelo governo federal nem sempre significa que o recurso vai chegar. No caso do Teatro estão atrasados R$ 3 milhões da primeira fase, embora a empresa já tenha executado o serviço. Da segunda fase, correspondente a R$ 8 milhões, ainda nenhum repasse foi feito pelo Ministério da Cultura. Para conseguir dinheiro em Brasília, os municípios dispõem, além das emendas, dos convênios e dos financiamentos, além do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
O orçamento municipal em execução tem apenas R$ 741 mil em recursos livres, que podem ser aplicados conforme a deliberação do chefe do Executivo. Portanto, os projetos de maior porte anunciados pela administração, como Superbus, desapropriações ao redor do aeroporto e Arco Leste, somente vão se tornar realidade com dinheiro de fora. Essa situação é confirmada pelo secretário de Planejamento, Orçamento e Tecnologia, Daniel Pelisson. "A nossa capacidade de investimento é muito pequena, então a gente precisa realmente ir em busca de recursos. Do contrário, as coisas não andam."
O sistema tributário nacional concentra a arrecadação fiscal nas mãos da União, mas, com gastos públicos cada vez maiores, é cada vez menor a participação federal nos orçamentos municipais, encurtando a capacidade de investimentos nas cidades. Prova disso, em janeiro a FOLHA noticiou o encolhimento do dinheiro federal no caixa do município ao longo dos anos. De acordo com aquele levantamento, em 2007, 17,4% do que foi arrecadado na cidade pelo Tesouro Nacional retornou, enquanto que em 2013, o índice caiu para 8%.
Nesse cenário, considerando os mais de 5,5 mil municípios que buscam uma fatia do bolo, a articulação política é essencial para se destacar no meio da concorrência e conseguir o pouco dinheiro disponível em Brasília. "Em tudo é possível uma gestão política", confirmou Pelisson.
KIREEFF MINIMIZA EMENDAS
O prefeito de Londrina, Alexandre Kireeff (PSD), minimizou o reduzido valor reservado especificamente para cidade, em 2015, no Orçamento da União. De acordo com ele, a atração de recursos deve ir além das emendas parlamentares "ou dos alinhamentos partidários". Kireeff argumenta que a negociação deve ser institucional. "Essa dependência das emendas parlamentares é inversamente proporcional ao desenvolvimento econômico da cidade", comentou ele, ressaltando que Londrina deve priorizar a execução de projetos estruturantes.
Apenas em empréstimos, o município espera mais de R$ 250 milhões do governo federal. Se somados os recursos pleiteados junto ao governo estadual, o montante passa de R$ 330 milhões. Esse tipo de operação de crédito exige contrapartida do município, que geralmente fica em torno de 8%, no caso de Londrina.
Segundo Kireeff, "é claro que todo o dinheiro é bem-vindo, mas não podemos ficar recebendo recursos de emendas parlamentares para custeio, isso é um retrocesso".
Na semana passada o prefeito esteve no Ministério da Saúde em busca do aumento no repasse do SUS para o serviço regional de média e alta complexidade. Ele disse que os três deputados federais da cidade Marcelo Belinati (PP), Alex Canziani (PTB) e Luiz Carlos Hauly (PSDB) participaram da reunião. "Os nossos parlamentares são essenciais para reforçar as demandas locais. Nós precisamos dessas forças políticas para conquistarmos financiamentos para grandes projetos na cidade, como a execução do Superbus e o aumento do repasse para avançarmos no atendimento de média e alta complexidade na saúde."
Segundo Kireeff, as políticas públicas da administração municipal devem estar alinhadas com a perspectiva federal traçada para os financiamentos. "Com todo o respeito, o tratamento para uma cidade da envergadura de Londrina deve ser diferente daquele das cidades menores."





