Emendas coletivas do PR dividem bancada federal
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quinta-feira, 16 de outubro de 1997
Leandro Donatti Curitiba 
Terminou em bate-boca a reunião da bancada federal, na noite da última quarta-feira em Brasília, que iria fechar o pacote das emendas coletivas do Paraná ao Orçamento da União em 98. Irritados com o resultado de uma votação que indicava a escolha de cinco prioridades destoantes do cardápio baixado pelo Palácio Iguaçu, parlamentares alinhados ao governador Jaime Lerner (PFL) abandonaram a reunião acusando deputados de oposição de orquestrarem um boicote contra o governo. Novo encontro, ocorrido ontem pela manhã, contornou a crise da bancada, que num acordo político definiu as emendas que devem ser entregues até o dia 21.
Governistas e oposição (leia-se 11 deputados do PPB, parte do PMDB e setores do PT) tiveram de ceder para chegar ao meio termo. O auge da briga de quarta foi quando Luciano Pizzatto e Aberlardo Lupion trocaram farpas com Max Rosenmann (PSDB). Os deputados do PFL alegaram que um compromisso firmado com o governo estadual obrigava a bancada a votar pelo menos na maioria das prioridades encaminhadas pelo secretário do Planejamento, Miguel Salomão. Parlamentares que presenciaram o bate-boca contam que Rosenmann devolveu, dizendo que o momento era da bancada federal do Paraná dar o troco contra o descaso governo Lerner. O deputado ainda não teria digerido a derrota que sofreu do grupo de Lerner na disputa pela prefeitura de Curitiba, em 96.
Ao contrário do cardápio do Executivo, a eleição interrompida na quarta-feira indicava a inclusão de emendas diversas das recomendadas, e que acabaram sendo confirmadas ontem. Dentre elas, a construção de aeroporto de Ponta Grossa (o governo pedia R$ 10 milhões para aeroportos em geral e R$ 60 milhões para a 3ª pista do aeroporto de Curitiba); o desenvolvimento sustentado da região Sudoeste; ampliação de hospitais em Londrina, Maringá e Campo Mourão; eliminação de pontos críticos nas estradas do Paraná; e a construção de centros de convenção em Cascavel, Toledo, Foz do Iguaçu e Marechal Cândido Rondon.
A tensão dos governistas aumentou quando se percebeu que outras emendas tidas como estratégicas para o governo Lerner estavam ameaçadas. Entre elas, a BR 476 (Vale do Ribeira), que liga Adrianópolis a Bocaiúva, a que prevê rubrica de R$ 10 milhões para uma possível instalação de Tribunal Federal Regional no Estado e a terceira pista do aeroporto de Curitiba. O PFL convocou reunião reservada no início da manhã e definiu uma estratégia de contra-ataque. Pizzatto cobrou mais empenho dos oito deputados do partido e isso garantiu que maioria das prioridades do governo Lerner fosse apresentada como emendas do Paraná ao orçamento.


