Emenda tornou comercial área de clube
Londrina - Uma das emendas que deixa claro o interesse individual do dono do imóvel é a número 48, que transforma o terreno do Canadá Country Club, na Avenida Juscelino Kubitschek, em zona comercial seis (ZC6), o que valorizaria sobremaneira a área. Hoje, o terreno, que chega até o córrego Água Fresca, é zona residencial dois (ZR2) assim como todos os lotes próximos cujo impacto ambiental e urbanístico é incomparavelmente menor que a ZC6.
A CJ e a CDU apresentaram a emenda atendendo proposta do presidente do clube, José Ricardo Marquezini Jabur, na qual disse que a intenção é vender 12 mil metros quadrados da área, o que seria o suficiente para quitação dívidas trabalhistas e fiscais. "É de conhecimento público", disse ele, que o clube "está passando por grandes dificuldades financeiras, inclusive indo a leilões". Para comover os vereadores, o presidente destaca "a relevância desta agremiação" cujas "modalidades olímpicas já revelaram atletas de seleção brasileira de voleibol".
De autoria conjunta das comissões de Justiça, então composta por Péricles Deliberador (PMN), José Roque Neto (PR) e Roberto Fú (PDT), e de Desenvolvimento Urbano, cujos integrantes eram Vilson Bittencourt (PSL), Elza Correia (PMDB) e Joaquim Donizete do Carmo, o Gaúcho Tamarrado (PDT), a emenda recebeu lacônico parecer favorável da comissão técnica de Kireeff: "O lote tem frente para via arterial, o que comporta o zoneamento ZC6, e a proposta é adequada para a natureza da atividade de clube recreativo".
Os técnicos nada escreveram sobre o entorno ser de ZR2, sobre o fundo do lote fazer divisa com área de fundo de vale ou sobre a intenção do clube de vender a área.
O então presidente da CDU, Vilson Bittencourt (PSL), um dos autores da mudança de zoneamento do Canadá, afirmou que desconhecia a fundamentação da emenda. "Na realidade, não era função da comissão (CDU) apresentar emendas de alteração pontual de zoneamento. Mas tentamos realizar nosso trabalho isento de qualquer preconceito. Fizemos a pergunta: a mudança é lesiva ao interesse público? Quando a resposta era negativa, apresentávamos (a emenda)", declarou.
A vereadora Lenir de Assis (PT), a única a votar contrariamente ao texto, não soube dizer especificamente o porquê do voto, mas lembrou que adotou este mesmo procedimento em relação a diversas emendas. "Havia emendas ruins. Alteravam apenas um lote, mudavam a característica de uma região, autorizavam a instalação de comércio em regiões onde historicamente é apenas residências", afirmou. "E teve várias situações que votei porque não consegui ter clareza sobre o que a emenda implicaria". (L.C.)





