Emenda tira 'imunidade' de promotores
Leandro Donatti
De Curitiba
Um grupo de deputados na Assembléia Legislativa faz lobby para aprovar uma emenda ao texto da Lei Orgânica do Ministério Público autorizando qualquer cidadão a processar promotores e procuradores do Paraná na Justiça Comum. O membro do Ministério Público do Paraná será penal e civilmente responsável, pessoalmente, quando, no exercício de suas funções, proceder com dolo ou fraude, diz a emenda que, salvo manobra de última hora, será analisada em plenário até o próximo dia 15. A proposta corre paralelamente ao substitutivo geral da Lei Orgânica, que depende de parecer da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembléia para ser votado em plenário. Atualmente, os integrantes do Ministério Público só são punidos administrativamente.
A emenda causou mal-estar na cúpula do Ministério Público. O procurador-geral da Justiça, Gilberto Giacóia, acompanhado do ex-procurador-geral Olympio de Sá Sotto Maior Neto, foi ontem à Assembléia acompanhar a reunião da CCJ que deliberaria sobre o assunto. Um pedido de vistas, solicitado pelo deputado Hermes Fonseca (PT), no entanto, transferiu para hoje a discussão da matéria. No plano técnico, a emenda é inconstitucional porque legisla sobre matéria penal e processual. Estou certo de que essa Casa saberá firmar a inviolabilidade disso. Isso não é um privilégio pessoal do promotor ou do procurador, mas um resguardo para a sociedade (na apuração de denúncias), argumentou Giacóia. O procurador aposta todas as fichas num trabalho de convencimento iniciado ainda ontem pelo secretário geral da Assembléia, Hermas Brandão (PTB), para derrubar a emenda em plenário.
Se a Assembléia aprovar esse tipo de coisa será uma vergonha, disse Hermas. Setores do MP interpretam a medida como uma retaliação aos processos instaurados por promotores e procuradores contra prefeitos apadrinhados por deputados e contra os próprios parlamentares.
O grupo signatário da emenda nega. Tem promotor acabando com a vida de muito prefeito. Acusando sem comprovar e na hora de cobrar as indenizações o processo é ajuízado contra o Estado. Isso é um absurdo. O promotor e o procurador têm de ser responsabilizados na hora da execução, quando agirem com dolo e fraude, contra-argumentou Nelson Garcia (PFL), um dos defensores da emenda. Tony Garcia (PPB) é outro adepto à medida que põe fim à inviolabilidade judicial do MP do Paraná. Tem promotor que faz denúncia em cima de uma coisa que deveria servir de instrumento de investigação, emendou Tony Garcia. O MP é o fiscal da lei. São seres humanos e erram como qualquer cidadão, completou o deputado.
Consta ainda na emenda que antes de ser processado judicialmente, as suspeitas contra procurador e promotor serão remetidas ao procurador-geral da Justiça. Em caso de arquivamento ou omissão do procurador, ficam os acusados pelo MP liberados para processar o denunciante. Nos casos aonde houver a instauração de procedimento administrativo, para verificar se o promotor ou procurador agiu com dolo, ficam os acusados livres ainda para ter acesso ao processo. Hoje, isso não é possível. A apuração corre em sigilo.Grupo de deputados quer alterar lei e autorizar processo criminal de membros do MP, protegidos por Constituição
Arquivo FolhaREAÇÃOHermas Brandão: Se a Assembléia Legislativa aprovar esse tipo de coisa será uma verdadeira vergonha





