Emenda tenta evitar que Estado assuma imbróglio
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terça-feira, 24 de março de 2009
Catarina Scortecci<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O segundo turno de votações do projeto de lei de autoria do Estado que pede a abertura de um crédito especial de cerca de R$ 40 milhões para a compra de um terreno para o Judiciário ficou para a próxima semana. Ontem, os integrantes da Comissão de Finanças da Assembleia Legislativa apresentaram uma emenda aditiva ao projeto na tentativa de evitar que o imbróglio em torno da propriedade do terreno não gere prejuízos aos cofres do Estado. O projeto já foi aprovado no primeiro turno de votações, anteontem, mas, por conta da emenda aditiva, a proposta sofrerá nova análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
O terreno, que tem cerca de 180 mil metros quadrados, pertence hoje ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), mas sua posse está sendo questionada por pessoas que moram no local. Apesar de não ter sido autorizada ainda a liberação dos recursos destinados à compra da área, o Estado e a União já haviam assinado um protocolo de intenções para a efetivação do negócio. A área deve abrigar um estacionamento para o Centro Judiciário de Curitiba, que será construído ao lado.
Pelo texto da emenda aditiva, fica o Poder Executivo autorizado a abertura de crédito ora aclamado, desde que ao Estado seja dada a garantia não só da posse bem como da propriedade por parte do vendedor do imóvel, ora INSS, da área em negociação. Não havendo a garantia de titulação expressa das áreas a serem adquiridas pelo Estado, o valor constante para o orçamento deve ser depositado em juízo, resguardando o Estado de futuras demandas judiciais.
O texto foi elaborado pelo relator do projeto de lei na Comissão de Finanças, deputado estadual Reni Pereira (PSB). O dinheiro só pode ser repassado se o INSS comprovar que tem a posse da área. Caso contrário, o depósito deverá ser feito em juízo, explicou Reni. O líder da base aliada ao Estado, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), não foi encontrado ontem para comentar o assunto.
Pressa
Ontem, o presidente da Assembleia, Nelson Justus (DEM), demonstrou pressa na aprovação do projeto de lei e lamentou publicamente o surgimento de uma emenda aditiva, o que afeta a tramitação da proposta na Casa. Questionado sobre o motivo da pressa, Justus afirmou apenas que há questões comerciais.
Na votação de anteontem, o comando da Casa ignorou o próprio Regimento Interno ao incluir na ordem do dia um projeto que nem tinha sido passado pela Comissão de Finanças - que somente ontem deu seu parecer.


