BRASÍLIA - Os líderes aliados têm sinal verde do Palácio do Planalto para pôr a reforma administrativa em votação hoje à tarde, mas a alternativa de criar um segundo teto de R$ 21,6 mil para ocupantes de cargos em comissão e titulares de mandato eletivo não pacificou a base governista. A idéia, apresentada pelos líderes ao presidente Fernando Henrique Cardoso, provocou uma reação em setores do PSDB e PMDB que se aliaram às oposições e começaram ontem a trabalhar contra a emenda.
‘‘Eu tenho vergonha de votar numa emenda dessas’’, protestou o vice-líder governista Arnaldo Madeira (PSDB-SP). ‘‘Vou ficar calado, mas não há quem me faça aprovar isto’’, completou o vice-líder do PSDB Marconi Perillo (GO). Enquanto os rebeldes do PMDB articulavam um abaixo assinado com o apoio de 28 deputados contra a emenda, os tucanos do Senado já antecipavam a reação: ‘‘O PSDB precisa se colocar contra isso, porque é mesquinho defender interesses pessoais no Congresso’’, disse o líder Sérgio Machado (CE).
Desde a semana passada os líderes aliados negociavam uma compensação para quem acumula aposentadorias e salário. A solução mais cara, a que se referiu José Serra, é uma emenda que permite a todo o primeiro escalão dos três Poderes acumular o salário a uma aposentadoria. A regra valeria apenas para quem já tivesse uma aposentadoria no momento da promulgação da emenda. ‘‘Agora isto aí não tem mais limite: vale para o futuro, ad eternum’’, disse o deputado José Genoíno (PT-SP).

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