Emenda esbarra na disputa pelo Senado
PUBLICAÇÃO
domingo, 19 de janeiro de 1997
Agência Estado De Brasília 
Com estilos diferentes mas embalados pela mística de vencedores que possuem em seus Estados de origem, os senadores Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) e Iris Resende (PMDB-GO) transformaram a disputa pela presidência do Senado - e, por decorrência, do Congresso Nacional também - no maior desafio ao projeto de reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso. Nada se discute em torno de reeleição que não tenha consequência direta com a presidência do Senado, e vice-versa.
O Senado, segundo Iris, é parte do projeto de poder do PMDB, que visa conquistar o comando das duas casas e firmar-se como partido majoritário do Congresso. Para atingir esse objetivo, diz, o partido marchará, se preciso, contra a emenda da reeleição. Para Antônio Carlos, misturar os assuntos só favorece ao tumulto que se instalou no Congresso desde que a convenção do PMDB aprovou a moção contra a emenda. O meu propósito não é o de tumultuar, afirma.
Estrategicamente, porém, o Senado é importante para o PFL, que teve até agora o comando da Câmara dos Deputados nas mãos do filho de Antônio Carlos, Luís Eduardo Magalhães. Os dois partidos fazem parte da base de sustentação do governo, mas por ser o aliado de primeira hora o PFL reivindica do presidente Fernando Henrique Cardoso o apoio explícito à candidatura ACM. Os dois candidatos demonstram que a campanha tem exigido muito de cada um deles. ACM disfarça melhor, porque conduz suas ações no perfeito estilo baiano, aparentemente sem pressa e sem se alterar, mesmo quando é provocado. Mas é certo que está cansado de manter uma cordialidade exagerada para com os colegas.
Iris se desdobra para atender aos senadores da esquerda, além de sofrer o assédio de funcionários do Senado que querem ajudar na sua campanha para permanecer no cargo. O senador emagreceu e parece buscar uma alternativa que lhe garanta o apoio do governo. Na semana passada, por exemplo, ele admitiu o rompimento com o Executivo. Em seguida, pregou a conciliação e se declarou convencido que o presidente Fernando Henrique e o PMDB são inseparáveis. Agora voltou a jogar pesado, condicionando a aprovação da emenda da reeleição à sua vitória. Na sexta-feira, quem marcou pontos com isso foi ACM, que em meio ao tiroteio foi recebido pelo presidente no Palácio do Planalto.


