Com estilos diferentes mas embalados pela mística de vencedores que possuem em seus Estados de origem, os senadores Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) e Iris Resende (PMDB-GO) transformaram a disputa pela presidência do Senado - e, por decorrência, do Congresso Nacional também - no maior desafio ao projeto de reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso. Nada se discute em torno de reeleição que não tenha consequência direta com a presidência do Senado, e vice-versa.
O Senado, segundo Iris, é parte do projeto de poder do PMDB, que visa conquistar o comando das duas casas e firmar-se como partido majoritário do Congresso. Para atingir esse objetivo, diz, o partido marchará, se preciso, contra a emenda da reeleição. Para Antônio Carlos, misturar os assuntos só favorece ao tumulto que se instalou no Congresso desde que a convenção do PMDB aprovou a moção contra a emenda. ‘‘O meu propósito não é o de tumultuar’’, afirma.
Estrategicamente, porém, o Senado é importante para o PFL, que teve até agora o comando da Câmara dos Deputados nas mãos do filho de Antônio Carlos, Luís Eduardo Magalhães. Os dois partidos fazem parte da base de sustentação do governo, mas por ser o aliado de primeira hora o PFL reivindica do presidente Fernando Henrique Cardoso o apoio explícito à candidatura ACM. Os dois candidatos demonstram que a campanha tem exigido muito de cada um deles. ACM disfarça melhor, porque conduz suas ações no perfeito estilo baiano, aparentemente sem pressa e sem se alterar, mesmo quando é provocado. Mas é certo que está cansado de manter uma cordialidade exagerada para com os colegas.
Iris se desdobra para atender aos senadores da esquerda, além de sofrer o assédio de funcionários do Senado que querem ajudar na sua campanha para permanecer no cargo. O senador emagreceu e parece buscar uma alternativa que lhe garanta o apoio do governo. Na semana passada, por exemplo, ele admitiu o rompimento com o Executivo. Em seguida, pregou a conciliação e se declarou convencido que o presidente Fernando Henrique e o PMDB são inseparáveis. Agora voltou a jogar pesado, condicionando a aprovação da emenda da reeleição à sua vitória. Na sexta-feira, quem marcou pontos com isso foi ACM, que em meio ao tiroteio foi recebido pelo presidente no Palácio do Planalto.

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