A série de manifestações propiciou o clima necessário para a votação da emenda, marcada para o dia 25 de abril de 1984. Mas 113 deputados - todos do então PDS - não compareceram, e a emenda acabou rejeitada, apesar dos 298 votos favoráveis, 65 contrários 3 abstenções. Eram precisos mais 22 votos favoráveis para que a emenda fosse aprovada.
''Acreditávamos que a emenda passaria, ainda mais depois daquelas manifestações'', afirma Suplicy. ''O resultado foi muito difícil para todos.''
''Eu fui para a tribuna do Senado fazer um discurso defendendo a indicação de um candidato nosso para eleger o presidente no colégio eleitoral'', diz Fernando Henrique, que na época era senador por São Paulo.
O colégio era composto pelos membros do Congresso e por três delegados indicados pelas Assembléias Legislativas. ''Para os Estados com mais de 500 mil eleitores, outro delegado era indicado'', afirma o cientista político. ''Eu tinha certeza de que os militares ganhariam se não bancássemos um candidato e fizéssemos campanha por ele dentro e fora do Congresso'', diz o ex-presidente.
Com a rejeição da emenda, o país realizou em 1984 sua última eleição indireta para presidente da República. O PMDB indicou Tancredo Neves, enquanto o PDS escolheu Paulo Maluf. Tancredo venceu a disputa. As comemorações pela vitória de Tancredo duraram pouco. Ele foi internado um dia antes da posse, em 14 de março de 1985 - a posse estava marcada para 15 de março daquele ano. Tancredo morreu no 21 de abril daquele ano. Quem assumiu seu mandato foi o vice, José Sarney.

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