Emenda dá fim a imunidade parlamentar
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terça-feira, 03 de março de 1998
Agência Estado 
O presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), terá em mãos ainda esta semana a proposta de emenda constitucional que acaba com a imunidade parlamentar para os crimes comuns, como homicídio culposo, falsificação e contrabando, que teriam sido cometidos pelo deputados Sérgio Naya (PPB-MG). O fim do privilégio permitirá à Justiça dar aos parlamentares o mesmo tratamento dos cidadãos comuns. O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), senador Bernardo Cabral (PFL-AM), que está preparando o texto da emenda, a pedido de Antônio Carlos, disse que a regalia incentiva pessoas mal-intencionadas a se eleger. A imunidade total fez com que alguns buscassem o Parlamento para vestir o manto da impunidade, afirmou.
Três dispositivos da Constituição asseguram a imunidade total de deputados e senadores. Eles só poderão ser presos ou processados se a Câmara ou o Senado, em votação secreta, der o seu consentimento. Bernardo Cabral lembrou que tentou derrubar esse benefício na Constituinte de 1988, da qual foi relator, mas a maioria de seus colegas rejeitou a medida em plenário. O senador disse que hoje a situação é outra e que a emenda de Antônio Carlos deve ser aprovada num prazo recorde. Vamos atualizar o texto da Constituição, defendeu. O clamor popular reclama do Congresso agilidade no fim da imunidade total dos parlamentares.
O senador explicou que a mudança vai restringir a imunidade unicamente a processos sobre palavras, opiniões e votos. A imunidade não deve pertencer ao parlamentar e, sim, à instituição da qual faz parte, defendeu. Câmara e Senado, nesse caso, terão apenas de se manifestar quando um de seus integrantes for alvo de processos por motivações políticas. Os demais casos receberão o mesmo tratamento dispensados aos demais cidadãos brasileiros. ProdiO primeiro-ministro da Itália, Romano Prodi, que iniciou ontem viagem oficial ao Brasil, disse a empresários paulistas que a Europa está redescobrindo a América Latina. A estabilidade econômica e política nos países do continente contribui para que as atenções dos europeus retornem à região, mas, segundo informou, o principal atrativo são as imensas oportunidades de negócios que oferece. A América Latina representa, para os europeus, uma das melhores oportunidades do mundo, afirmou Prodi, em palestra feita na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).


