BRASÍLIA - O Senado deve votar a emenda que permite a reeleição do presidente da República, governadores e prefeitos no final de abril. Segundo o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), que ontem recebeu o texto da emenda das mãos do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), dois meses serão suficientes para os senadores examinarem a proposta. ‘‘Acredito que a emenda será votada com a rapidez que o assunto merece’’, afirmou. ‘‘Os senadores serão tão ágeis quanto os deputados, agindo sempre de acordo com as normas regulamentares do regimento’’, disse.
A emenda foi lida à tarde em plenário e encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que só na quarta-feira deve reinciar suas atividades. Até lá, os líderes chegarão a um acordo quanto à indicação dos presidentes da comissão. Já é certo, porém, que a CCJ terá um presidente do PFL, a quem cabe designar o relator dessa emenda. Estão cotados para o cargo os senadores Francelino Pereira (MG), José Agripino Maia (RN) e Romeu Tuma (SP).
A expectativa do líder do PSDB, senador Sérgio Machado (CE), é a de examinar a emenda no prazo de 35 dias úteis. A proposta encontra no Senado algumas restrições da parte de membros da base aliada do governo, a exemplo do que ocorre com todas as matérias consideradas importantes. Mas como das outras vezes a reação deve ser vista como uma forma de chamar a atenção do Palácio do Planalto. Não se trata de nenhum movimento capaz de impedir a aprovação da matéria. A iniciativa agora partiu do senador Lucídio Portella (PPB-PI) que já anunciou a decisão de modificar a emenda para impedir a reeleição de prefeitos e governadores. Portella alegou que falta ‘‘maturidade’’ à política brasileira para mudar as regras nos três níveis do Executivo.
Também deve haver resistência de alguns senadores em aprovar a emenda sem fixar um prazo para desincompatibilização, mas o líder Sérgio Machado garantiu que há argumentos capazes de convencê-los a mudar de idéia.

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