Gerson Camarotti
Agência Estado
De Brasília
Nunca uma semana foi tão produtiva para o PMDB, desde que o senador Jáder Barbalho (PA) assumiu o comando do partido há um ano. O projeto de afirmação da legenda passou por dois difíceis testes nos últimos dias. O PMDB partiu para enfrentamento de uma única vez com fortes pré-candidatos à presidência da República: o senador pefelista Antonio Carlos Magalhães (BA) e o governador tucano Mário Covas.
Diferente de outras ocasiões, em que o partido ficava passivo esperando ser atacado, a postura da semana passada demonstra uma nova conduta. A partir de agora, o PMDB é que escolherá os seus adversários.
As denúncias do senador e ex-ministro da Justiça, Renan Calheiros (PMDB-AL), que acusou Covas de tráfico de influência para beneficiar a empresa de um amigo, e o confronto de Barbalho com ACM pela relatoria do PPA, foram dois fortes exemplos de que agora em diante o PMDB não será o patinho feio da aliança.
Uma demonstração desse poder já havia sido feita no início do ano, quando o próprio Barbalho criou a CPI do Sistema Financeiro, para neutralizar a CPI do Judiciário, proposta pelo senador ACM.
O senador Renan Calheiros, um dos principais protagonistas da semana, evita falar numa ação coordenada do partido, preferindo classificar esses dois movimentos políticos, como ‘‘uma coincidência’’. Mesmo assim, ele reconhece que a sigla começa a ‘‘profissionalizar suas ações’’. ‘‘O partido tem se firmado na opinião pública e na correlação de forças que há no Congresso’’, avalia Renan, um dos principais articuladores do PMDB.
Ainda que ninguém admita publicamente, o duro embate da semana passada acabou creditando Barbalho para ser o próximo presidente do Senado. O enfrentamento com ACM possibilitou ao líder do PMDB iniciar uma união implícita com os partidos de oposição, o que garantirá votos para uma eventual disputa acirrada.
Outro resultado dos embates foi a recuperação do orgulho dos peemedebistas. ‘‘O PMDB passa por um processo de afirmação’’, analisa o vice-líder do partido na Câmara, deputado Cezar Schirmer (RS). Ele lembra que a imagem negativa que o PMDB tem – de ser uma sigla fisiológica e oportunista – começa a mudar.

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