Curitiba - Em convenção tumultuada, marcada por brigas e trocas de farpas entre correligionários, o PMDB do Paraná decidiu ontem lançar o senador Roberto Requião (PMDB) ao governo do Estado. A candidatura própria foi apoiada por 319 delegados, contra 250 que defendiam a coligação com o PSDB do governador Beto Richa (PSDB), pré-candidato à reeleição. Houve ainda quatro votos nulos e um em branco.
"Hoje fizemos o primeiro turno da eleição. O PMDB mostrou que é forte, que não está à venda e que não aceita cargos em comissão. Não fui eu o vencedor. O vencedor foi o velho MDB de guerra", discursou Requião. "Até recomendo ao Beto que desista de ser candidato, porque a brincadeira dele acabou aqui", ironizou. A opção pelo senador, que já foi governador por três mandatos, praticamente garante que o pleito de outubro seja decidido no segundo turno. Sem ele, a expectativa era que o atual chefe do Executivo e a senadora Gleisi Hoffmann (PT) polarizassem a disputa.
Os cerca de 500 delegados que lotaram o Clube Urca, em Curitiba, desde as 8 horas (alguns deles votaram mais de uma vez, por ocuparem cargos diversos), também aprovaram a candidatura do deputado federal Marcelo Almeida ao Senado. Outra decisão foi delegar ao grupo vencedor a incumbência de deliberar sobre a formação do "chapão", incluindo possíveis alianças. Segundo o chefe de Relações Institucionais da vice-presidência da República, Rodrigo Rocha Loures, o PMDB conversa com mais cinco legendas. Ele não quis adiantar nomes. Hoje, realizam suas convenções o PDT, o PSD e o PV.
Caso as conversas não evoluam e a opção seja por uma "chapa pura", a vereadora de Londrina Elza Correia, o vice-prefeito de Maringá Claudio Ferdinandi e o suplente de deputado estadual Gilberto Martin, de Cambé (Região Metropolitana de Londrina), já inscreveram seus nomes. "O vice tem de ter uma ampla afinidade política, ideológica e programática com o Requião, para que a gente tenha unidade de pensamento", afirmou Martin, preferido do senador. Além do vice, serão decididos os dois suplentes de Almeida e os concorrentes a deputados estaduais e federais.

Confusão
A convenção foi marcada por discussões e embates entre as duas alas. Aos gritos de "doutor, eu não me engano, o meu partido não é tucano", militantes pró-Requião criticavam os adeptos da coligação, que na maior parte do tempo se mantinham calados. No início da manhã, quando buscavam espaço para empunhar suas bandeiras, alguns correligionários trocaram socos e tapas. Um carro de som levado pelo deputado estadual Cleiton Kielse, defensor do senador, teve as fechaduras arrombadas.
A confusão levou a Polícia Militar (PM) a enviar ao local um contingente de aproximadamente 30 homens e quatro viaturas. Vinte seguranças da executiva estadual também vigiavam a sala de votação. O aparato foi tanto que alguns jornalistas, inclusive a reportagem da FOLHA, chegaram a ser barrados. A entrada só foi autorizada após a intervenção de delegados do partido.

Racha
Aliado de Beto Richa, o ex-governador Orlando Pessuti descartou a hipótese de apoiar o senador. De acordo com ele, caberá ao agora candidato ceder para buscar a união entre os correligionários. "A reconciliação quem constrói é o vencedor. O derrotado normalmente se recolhe."
Já o presidente estadual do PMDB, Osmar Serraglio, preferiu o tom político. "Recebo (o resultado) como uma manifestação democrática. O Requião se sagrou vencedor e o que temos de fazer agora é tentar reunir o partido para que ele saia fortalecido", afirmou, mesmo nitidamente decepcionado.
Rocha Loures contou que a ala vencedora irá se reunir em breve com os deputados estaduais para "cicatrizar as feridas". Dos 13 integrantes da bancada na Assembleia Legislativa, 11 defendiam a aliança com os tucanos.

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