Brasília - O deputado federal pelo Paraná Assis do Couto (PT) foi escolhido ontem presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDH) da Câmara dos Deputados. Ele venceu o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), que se lançou em candidatura avulsa, por 10 votos a 8.
Assis do Couto declarou que a missão da comissão será a partir de agora dialogar com a diversidade e a pluralidade do povo brasileiro, sem perder o foco na defesa das minorias. Ele prometeu traçar nos próximos dias um plano de trabalho para colocar esse objetivo em prática.
Partido com a maior bancada na Câmara, o PT tem prioridade na escolha das comissões que presidirá, mas, no ano passado, abriu mão da de Direitos Humanos. O colegiado acabou sendo comandado pelo deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP), o que gerou protestos de grupos que o acusavam de homofobia. "Não poderíamos deixar que a comissão caísse em mãos erradas", disse o novo líder do PT, deputado Vicentinho (SP).

‘Equilíbrio’
Na visão dos petistas, a CDH deverá passar por um processo de "pacificação" após a tumultuada gestão de Feliciano em 2013. Dentro da bancada do PT, Assis do Couto ganhou o aval da maioria na noite de terça-feira. Ele derrotou na votação interna o indicado da Frente Parlamentar de Defesa dos Direitos Humanos, o ex-ministro da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Nilmário Miranda (MG). Os parlamentares entendiam que, após um ano de gestão "fundamentalista", o grupo de trabalho deveria voltar a ser comandado por militantes da causa.
Couto não tem histórico de forte militância no setor e é ligado à área de agricultura familiar. "O desejo era que fosse alguém do núcleo (de Direitos Humanos), mas todo petista tem uma longa história de atuação na área", contemporizou o vice-líder da bancada, Bohn Gass (RS).
Nos bastidores, petistas não escondem que havia uma pressão da bancada evangélica contra a escolha de membros da Frente Parlamentar e afirmam que a indicação de Couto dará equilíbrio à comissão. "Direitos Humanos não podia se transformar em feudo do Feliciano nem feudo dos meninos do PT (ativistas da área). É uma comissão laica, não é uma seita. A comissão se livrou de dois grandes extremos", definiu um cacique da legenda.
Para o líder do PT, Vicentinho (SP), Assis do Couto garantirá o "caminho ético" à comissão. "Acho que ele vai apaziguar a comissão. Ele vai atuar como todos os petistas atuariam", afirmou.

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