Em vídeo, Beto rebate acusações de delator
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domingo, 17 de maio de 2015
Luís Fernando Wiltemburg<br>Reportagem Local 
Londrina - O governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), usou seu perfil no site de relacionamentos Facebook para refutar as declarações atribuídas ao auditor da Receita Estadual Luiz Antônio de Souza, preso há quatro meses, que teria dito em delação premiada que parte do dinheiro de propina foi utilizado na campanha de reeleição do tucano. No vídeo, Beto desqualifica o auditor e diz que seu governo é alvo de "uma ação osquestrada" para desviar o foco de poderes maiores.
Souza, preso por suspeitas de envolvimento em esquemas de corrupção na Receita Estadual e de exploração sexual de menores, aceitou colaborar com as investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). O teor da delação veio a público na última sexta-feira pelo advogado dele, Eduardo Duarte Ferreira, que acompanhou os depoimentos.
Na ocasião, Beto não quis se pronunciar e apenas o PSDB negou caixa dois e dinheiro de propina na campanha. Beto só se manifestou na tarde de anteontem, ao publicar o vídeo.
Na gravação de 72 segundos, o governador diz que os autores dos ataques "passaram dos limites". "Pegaram um criminoso, réu confesso, preso por abuso de menores, para me acusar sem nenhuma prova. Coisa de bandido", afirma.
Ainda no vídeo, o governador tenta atribuir a "ação orquestrada" à oposição, ao afirmar que "querem desviar o foco de poderes maiores inventando acusações falsas" - o governo federal, que também passa por dificuldades financeiras e desgaste político, é governado pelo PT. "O Brasil vive a pior crise econômica de todos os tempos, mas nós aqui seremos parte da solução", afirma Beto, que conclui o vídeo afirmando que "o Paraná não aceita baixaria".
As imagens tiveram mais de 190 mil visualizações e 2.558 compartilhamentos, até o fechamento da reportagem. O conteúdo também foi replicado em nota oficial da assessoria de imprensa do PSDB, junto com declarações do secretário-geral tucano e presidente da Assembleia Legislativa, Ademar Traiano, e do presidente da Juventude PSDB, Edson Lau Filho.
Traiano também atribui as acusações a uma suposta ação petista. "Eles estão buscando a desconstrução de governos de oposição para tirar a atenção sobre escândalos do governo federal", traz a nota.
O advogado Eduardo Duarte Ferreira afirma que "quem pode julgar o Luiz Antônio (Souza) não é o governador, mas o Judiciário", e que Beto confunde as contas de campanha com sua própria pessoa. "Nunca meu cliente questionou a figura do governador, mas a arrecadação da campanha. Ele diz que houve pedidos para a campanha, mas feitos por pessoas ligadas ao governo", frisa.
Segundo o advogado, Souza afirma na delação que o dinheiro seria arrecadado de três empresas beneficiadas pela ausência de fiscalização e entregue a Márcio de Albuquerque Lima, ex-delegado da Receita em Londrina e copiloto de Beto em provas de automobilismo, e a Luiz Abi Antoun, parente do governador. Abi é acusado pelo Ministério Público de chefiar quadrilha que fraudou a contratação de sua oficina mecânica a Providence para prestar serviços ao Estado.
Ferreira também nega interesse ou posicionamento político nas declarações de Souza.


