Em vez de um índice de 2,96% a todo o funcionalismo, um abono entre R$ 100 e R$ 150 escalonado conforme a remuneração do servidor. Foi essa ontem a contraproposta do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina (Sindserv) à administração municipal, naquela que já foi a quarta rodada de negociação entre as partes. A reunião transcorreu a portas fechadas no gabinete do Secretário Municipal de Governo, Tercílio Turini, que tenta costurar um acordo, por parte do Executivo, juntamente com o secretário municipal de Fazenda e Planejamento, Denílson Vieira Novaes.
  Pela proposta do sindicato, a divisão dos R$ 600 mil que impactariam mensalmente na folha, com o índice de 2,96% extraoficialmente apresentado pela administração, seria mais adequada na forma de um abono, uma vez que, nos últimos anos, apenas setores localizados da administração – tais como Procuradoria Jurídica e Assistência Social, por exemplo – foram contemplados com reposições que variavam entre 70% e 100%. ‘‘Com esses aumentos abusivos para uns poucos, 62% dos servidores ficaram sem reposição alguma. O índice de 2,96% é até razoável, mas entendemos que ele é melhor como abono porque, linear, beneficiaria quem já tem salários muito altos’’, disse o vice-presidente do Sindserv, Marcos Ratto. Indagado se a entidade não considera temerário abrir mão de uma reposição que seria ireversível, frente a um abono que, antes de dois anos, pode ser retirado a qualquer momento, Ratto respondeu: ‘‘Em 17 anos em que sou servidor, nunca vi um abono não ser incorporado. Mas os dois candidatos a prefeito assumiram compromisso de negociar com os servidores’’.
  O sindicato acredita que a proposta oficial do Executivo saia até amanh㠖 a assembleia da categoria é no próximo dia 26. O procurador jurídico do Município, Nilso Paulo da Silva, afirmou que a administração vai analisar o assunto sob a ótica da lei eleitoral e da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). ‘‘Consultamos o Tribunal de Contas e a Justiça Eleitoral sobre a recomposição salarial, uma vez que, em perído eleitoral típico, que não é o caso, teríamos prazos a cumprir. Mas na forma de abono acho difícil conceder, porque não deixa de ser um aumento real.’’

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