Em Uraí, 113 disputam cargo sem salário
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sábado, 31 de julho de 2004
Fernanda Bressan<br> Reportagem Local 
Uraí (26 km a oeste de Cornélio Procópio) tem 113 candidatos registrados no Cartório Eleitoral para disputar uma das nove vagas disponíveis no Legislativo Municipal. Em junho deste ano, os vereadores aprovaram por cinco votos contra três um projeto de lei que extingue os salários da classe para a próxima Legislatura. A lei foi sancionada pela prefeita Iracélis da Fonseca Borghi (PMDB) mas ainda gera polêmica entre a população e os próprios candidatos ao cargo. Oito entre os nove atuais vereadores concorrem à reeleição.
O estudante de jornalismo Rafael Barossi (PTB), 23 anos, disputa as eleições pela primeira vez. O avô de Barossi, Antônio Pereira Dantas, foi vereador na cidade durante 30 anos. O tio dele, Wanderley Bozelli Dantas (PRP), foi prefeito e é candidato a vice este ano. O estudante não concordou com a extinção dos salários. ''Acho que foi safadeza porque se você tem a intenção de trabalhar de graça para o povo poderia ter doado os salários para uma instituição. Eles ficaram três anos sem fazer nada. Isso é populismo'', criticou.
Barossi afirmou ainda que a lei é inconstitucional e ilegal e que pode ser derrubada. Para ele, o certo era o vereador trabalhar mais. Rafael Barossi já está em campanha mas disse que começar a gastar agora não é o adequado. ''Estou conversando com os amigos e iniciando a distribuição de santinhos e adesivos'', citou.
Edimur Pires Cardoso (PRP), 40 anos, também discorda do projeto de lei aprovado pela Câmara Municipal. Ele trabalha com propaganda e eventos e enfatizou ser muito fácil votar uma lei que servirá para a próxima gestão. ''Se a prefeita também acatasse e não recebesse salários eu também aceitaria'', provocou o candidato. Ele explicou que a população sempre pede ajuda aos vereadores, por isso, nem que fosse um valor ''irrisório'', o representante do Legislativo precisaria ter salário. A campanha de Cardoso está nas ruas com carro de som circulando pela cidade. Ele explicou que está aproveitando os recursos que possui em seu trabalho para divulgar seu nome. ''Meu pai tem uma gráfica e por isso não preciso pedir pelo amor de Deus para ninguém'', acrescentou.
Para o atual presidente da Câmara, Walter Francisco Laureano (PSDB), a nova lei é benéfica e vai incentivar o trabalho voluntário. ''Teve parecer favorável da Comissão de Justiça e só o juiz pode dizer se é inconstitucional'', defendeu. Ele detalhou que os vereadores participam apenas de uma sessão semanal, que muitas vezes nem é agendada por falta de matéria. ''Os atuais (vereadores) têm profissão. É imoral receber porque às vezes nem marco sessão'', argumentou.
Eleito com 198 votos em 2000, Laureano começou sua campanha andando de casa em casa. ''Tenho muitos amigos e vou seguir a mesma linha da eleição passada'', afirmou. Ele observou que o alto número de concorrentes dificulta a campanha. ''É bom porque a população tem mais opção, mas quando você vai pedir voto sempre alguém é parente de alguém'', comentou.
O também vereador Osnir Borghi (PMDB), 50 anos, votou contrário à lei. ''O salário é pequeno (R$ 816) e não causa vergonha. Tem que ter salário porque é uma ajuda de custo'', justificou. Para ele, a lei ''é hipócrita e teve o lado eleitoral forte''. Marido da atual prefeita, Iracélis Borghi, o médico Osnir definiu que possui uma característica diferente dos colegas de Câmara. ''Estou no Legislativo para defender projetos de interesse do Executivo'', declarou. E é esse o trabalho que ele pretende continuar, uma vez que sua esposa é candidata à reeleição. Em 2000, o médico obteve 295 votos.


