Passado um ano de gestão dos novos prefeitos das 5.568 cidades do Brasil, 125 chefes de Executivos eleitos em outubro de 2012 foram trocados durante 2013, segundo levantamento da Confederação Nacional dos Municípios (CNM). A maior parte, de acordo com o estudo, ocorreu por cassação. No Paraná, foram cassados no ano passado os prefeitos de Inácio Martins (Centro-Sul), Joaquim Távora (Norte Pioneiro), Jundiaí do Sul (Norte Pioneiro), Santa Inês (Norte) e Sarandi (Noroeste).
O levantamento da CNM leva em consideração como motivos de troca a cassação, falecimento, denúncia, doença e outros. Destes, a primeira causa motivou a troca de 107 (85,6%) dos prefeitos em 2013. Prefeitos trocados por falecimentos somam 12 (0,6%) e, pelos outros motivos, são 4,8%.
No Brasil, a cassação motivou a mudança nas prefeituras de 2,2%. São Paulo foi o Estado com mais mudanças, com 21 trocas, das quais 18 foram motivadas por cassação. Vêm logo atrás o Rio Grande do Sul e Minas Gerais, com 13 e 10 trocas, respectivamente.
Acre e Roraima são as únicas duas unidades da Federação sem mudanças. Já dentro do Estado paranaense, as cinco trocas representam 1,25% dos 399 municípios.
Em Inácio Martins, Lauri Setrinski (PMDB) teve o mandato cassado pelo juiz eleitoral Jorge Anastácio Kotzias Neto em janeiro. Ele foi acusado de abuso de poder econômico, por não ter prestado regularmente as contas eleitorais, o que impediu a fiscalização dos recursos utilizados na campanha eleitoral.
Em Santa Inês, José Pedro Henrique da Silva (PTB), candidato mais votado nas eleições de 2012, teve o registro de candidatura impugnado devido à rejeição de contas e abuso de poder econômico e político.
Nos dois casos, os eleitores voltaram às urnas no dia 4 de novembro para escolher seus novos representantes. O tucano Marino Kutianski foi eleito em Inácio Martins e, em Santa Inês, Marcel André Regovich, o Cia (PSD), foi eleito novo prefeito. Presidente da Câmara Municipal, ele já estava na cadeira do Executivo interinamente.
Em Joaquim Távora, Wilian Walter Ovçar, o Vatão (PSC), foi eleito em 2012, mas a rejeição das contas da prefeitura relativas ao exercício de 2006 pelo Tribunal de Contas (TC) do Paraná, quando também exercia o cargo, levou à cassação do registro de sua candidatura. Ele ainda conseguiu concorrer com base em recurso concedido pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Paraná, mas o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou o registro definitivamente dois meses após a eleição.
Como Vatão foi eleito com mais de 50% dos votos válidos, novo pleito foi convocado para abril do ano passado. Na ocasião, Gelson Mansur Nassar (PSDB) venceu o único adversário, Emílio Calil Neto (DEM), e se tornou o novo prefeito.
No caso de Jundiaí do Sul, o prefeito reeleito Jair Sanches do Nascimento (PR) foi cassado por abuso de poder político por ter concedido revisão da remuneração dos servidores municipais a menos de seis meses do pleito. A reportagem não conseguiu esclarecer os fatos após a cassação até o fechamento da edição.
Em Sarandi, o prefeito Carlos de Paula (PDT) foi afastado do cargo em janeiro do ano passado, em função da Operação Quadro Negro, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) para apurar suspeitas de fraudes em licitações feitas na área da saúde. Porém, em julho do mesmo ano, ele retomou posse no cargo.

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