Em troca de voto, Sarney loteia comissões
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quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Rosa CostaAgência Estado 
Brasília - Até o senador Fernando Collor (PTB-AL), que na campanha presidencial de 1989 xingou o então presidente José Sarney (PMDB-AP), atribuindo-lhe a autoria de uma manobra que poderia abrir espaço para a candidatura de empresário Sílvio Santos, deve ganhar uma comissão no Senado. O loteamento dos cargos faz parte do esforço final de garantir a eleição de Sarney à presidência do Senado. Collor deverá ficar com a Comissão de Relações Exteriores.
As conversas para barganhar os cobiçados cargos são feitas nos bastidores das campanhas e, não raro, chega a resultar na promessa de ceder uma única vaga para mais de dois candidatos. A presidência de uma comissão garante a seu titular o direito de decidir quem vai trabalhar lá, quais projetos vão entrar na pauta, quais vão sair, se um convite a uma autoridade para que explique qualquer coisa vai atrasar ou ser adiantado. O presidente de uma comissão tem ainda muito mais oportunidades de aparecer nos meios de comunicação.
Já os lugares na Mesa representam, em termos de barganha, quase que um segundo mandato. Do primeiro vice-presidente ao quarto suplente, todos têm direito a uma cota extra de passagens aéreas, de correspondências e de um segundo gabinete, preenchido por 11 cargos comissionados, além do pessoal da Casa.
Três por um
Os pedidos superam o número de vagas. É o caso, por exemplo, da presidência da comissão prometida a Collor. Além dele, disputam a vaga os senadores Marco Maciel (DEM-PE) e Eduardo Azeredo (PSDB-MG). É dado como certo que Sarney apoiará Collor - até para mostrar que ''esqueceu'' as hostilidade recebidas do ex-presidente da República. Tião Viana (PT-AC), o outro candidato à presidência, estaria mais propenso a apoiar o pleito do tucano Azeredo.
O líder do PTB, senador Epitácio Cafeteira (MA), tem como certo que o partido ficará com a segunda vice-presidência, em troca de sete votos a favor de Sarney. O nome com mais chance de ocupar o cargo é o dele mesmo, Cafeteira. A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) também é disputada por dois partidos, PT e PSB, sendo que ambos declararam apoio a Tião Viana. O senador Renato Casagrande (PSB-ES) lembra que por ''tradição e cultura'', a presidência da comissão pertence a seu partido. Já o senador Paulo Paim (PT-RS) se sente com direito ao cargo nos últimos dois anos de seu atual mandato.
O único cargo que o PT não pretende abrir mão é o de presidente da Comissão de Infraestrutura, que deverá ter a senadora Ideli Salvatti (PT-SC) no comando. O pleito tem um motivo: é que por lá passarão todos as matérias de interesse do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Outra disputa em curso é a da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), reivindicada pelo atual presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), e pelo senador Demóstenes Torres (DEM-GO).


