Em tom populista, Lula se compara a Vargas
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quinta-feira, 04 de agosto de 2005
Ana Flor<br>Folhapress 
Floriano (PI) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se comparou ontem ao ex-presidente Getúlio Vargas (1930-45 e 1951-54) ao dizer que seus esforços em apostar no biodiesel são semelhantes ao de Vargas quando criou a Petrobras. Ao participar da inauguração de uma fábrica de biodiesel em Floriano (250 quilômetros de Teresina), Lula fez um discurso populista, em tom de campanha, no qual não poupou críticas às elites, como sistematicamente vem fazendo, e a seus antecessores, por terem negligenciado o Nordeste. Anunciou, ainda, subsídios para a produção de biodiesel da mamona.
Nós estamos aqui hoje começando o embrião que, em 1954, Getúlio Vargas começou quando teve a coragem, contra os interesses da elite política brasileira, de dizer ao Brasil que a gente ia fazer a Petrobras, e a gente iria produzir o nosso próprio petróleo. Naquele tempo, ele foi achincalhado, a imprensa da época não cansou de fazer editoriais contra a decisão de construir a Petrobras, disse Lula a uma platéia de cerca de 2.000 pessoas.
Lula visitou quatro cidades em Pernambuco e Piauí. Anteontem, em Garanhuns (PE), ele deu um recado aos opositores políticos. Se eu for [candidato], com ódio ou sem ódio, eles vão ter que me engolir outra vez, porque o povo brasileiro vai querer.
Ontem ele fez questão de repetir que é nordestino e que é o primeiro presidente em muitos anos a se preocupar com a região. No discurso de inauguração da usina que produz a partir da mamona, o presidente usou a semente para falar das desigualdades regionais brasileiras - e para criticar antecessores.
Nós escolhemos a mamona porque se a gente não escolhesse a mamona, a gente iria ver o biodiesel sendo produzido da soja. Se fosse produzido da soja, ia beneficiar mais uma vez a região Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país e o Nordeste ia ficar abandonado, disse. E completou: A mamona é como o povo nordestino. Agüenta sol, agüenta seca, agüenta calor, agüenta terra ruim e não morre nunca.
Segundo Lula, a mamona se tornou fonte de vida e esperança para os nordestinos que como eu sabe o que é sobreviver nesta terra muitas vezes abandonada, governada por gente do Sul do país ou do Sudeste do país, que viu o Nordeste apenas como um celeiro de pobreza ou de desgraça, disse, ovacionado.


