Em terra de Moro, ato se divide com a presença do MBL
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segunda-feira, 01 de julho de 2019
Isabela Fleischmann - Grupo Folha 

Maringá – Na terra natal do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, o ato em defesa do ex-juiz dividiu-se entre membros do MBL (Movimento Brasil Livre) e grupos como Patriotas, Direita Paraná, o Vem Para a Rua e o Nas Ruas.
Com a mesma pauta, defesa da Lava Jato, da Reforma da Previdência e do pacote Anticrime proposto por Moro, os manifestantes se reuniram às 15h na praça da Catedral, no centro de Maringá. Palavras de ordem exaltando a Operação Lava Jato e o apoio incondicional ao governo de Jair Bolsonaro (PSL) eram proferidas no carro de som.
Camisetas com o rosto de Moro, com os dizeres “livrai-nos do mal”, eram vendidas por R$ 30 no ato. No começo da mobilização, um caminhão do MBL, com som, causou discussões entre os manifestantes, que rechaçaram a presença do movimento no ato. “Toca a música, por favor”, dizia uma moça no microfone do MBL enquanto manifestantes os enxotavam do local. “Qual que está certo? Para lá ou para cá?”, questionava-se uma manifestante sobre a direção dúbia do ato.
Altieres José Schincariol, que definiu sua profissão como “bolsonarista”, argumentava que o MBL estava fazendo bagunça e não era querido no ato. Administrador de grupos pró-Bolsonaro desde 2013, disse que o movimento balburdiava o ato. “É um movimento que virou partido político. Aqui é o povo brasileiro, somos contra os políticos safados, o centrão e a esquerda. A nossa reunião aqui não tem nada a ver com essa raça, o MBL se aproveitou do Bolsonaro”, disse.
O estudante e ativista político maringaense Lucas Zakk, 18, discordou de como o ato foi feito. “A pauta em si é toda coerente, mas aqui em Maringá são dois movimentos que estão tentando se deslegitimar. Será que isso é uma motivação para uma maior aprovação em uma possível candidatura no próximo ano? Será oportunismo? Precisamos nos unir e não desunir”, pontuou.
Tentando mediar a divergência, a pedagoga Vivian Malouf Ibrahim, 55, pedia tolerância aos manifestantes com um megafone e tentava puxar a pauta para Moro, unificando os grupos. Administradora do Nas Ruas, Ibrahim explica que apoia todos os grupos que foram surgindo, porque a pauta é nacional. “A manifestação de Maringá tem muitos grupos envolvidos, mas não estou nem aqui nem ali. Eu acompanho o movimento Nas Ruas, mas eu não faço parte de uma patota, porque somos do começo dos movimentos”, explica.
Segundo Ibrahim, os grupos cada vez se multiplicam mais e brigam por pequenas divergências. “O povo está magoado com o MBL porque teve uma situação que ele foi contra o Bolsonaro, quando ele interviu no preço da gasolina. O MBL criticou porque eles são muito liberais na economia, e como eles criticaram, o pessoal se magoou e tem uma ala que não perdoa.”
A confusão existe porque os movimentos de rua não têm uma organização hierárquica, conforme Ibrahim.
“A eleição do Bolsonaro deveria estar rendendo 100% mas estamos sofrendo a oposição e o obstáculo irresponsável dessas quadrilhas que ainda permanecem em cargos de poder. Nós estamos dizendo que a luta não acabou, estamos aqui para apoiar Sergio Moro contra essas fofocas baixas, criminosas, estamos aqui para apoiar a Lava Jato até o fim”, afirmou. A pedagoga ainda fez um apelo: “Deixem o Bolsonaro governar, porque enquanto ele estiver sofrendo esse boicote, essa cobertura jornalística medíocre e enganosa vamos continuar descendo ladeira abaixo.”
'HERÓI'
As manifestações, de mobilização nacional, são reflexo das reportagens publicadas pelo site Intercept, que desde o início do mês divulgou conversas que seriam do ministro com procuradores da operação, sustentando que o magistrado influenciava veementemente os caminhos da acusação. Até o momento, Moro diz que não reconhece a autenticidade das mensagens e o MPF (Ministério Público Federal) fala em um criminoso ataque hacker ao celular do ministro e dos procuradores.
A mesma maneira que a militância do PT (Partido dos Trabalhadores) defende o partido pelos feitos em duas décadas de poder em detrimento de escândalos de corrupção, os resultados obtidos pela operação de Moro são satisfatórios para os apoiadores da Lava Jato, que mudou o País. “Para mim, ele é o herói. Isso tudo (reportagens publicadas pelo site Intercept) só serviu para melhorar o cartaz dele, porque ele não falou nada que fosse contra os princípios que eu apoio. Ele estava defendendo uma convicção, eu apoio total”, disse Neusa Louro, 71, enquanto levava uma placa com o rosto do ministro.
Em uma das conversas divulgadas pelo site, um procurador teria comentado que “o povo do interior é muito simplório”, em referência ao cumprimento da família de Moro, maringaense, à eleição de Bolsonaro.
Criação maringaense, o “Super Moro”, boneco inflável de 12 metros, não esteve presente dessa vez, mas uma grande bandeira verde e amarela assinada por Moro enquanto juiz foi levada pelos manifestantes pelo trajeto que seguiu pela XV de Novembro e retornou à Praça da Catedral.


