Em sexta fase, Quadro Negro mira 22 construtoras
Operação do Gaeco em Curitiba, Campo Largo, Cascavel e Castro apura desvios de pelo menos R$ 20 milhões em obras de escolas estaduais
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 08 de agosto de 2019
Operação do Gaeco em Curitiba, Campo Largo, Cascavel e Castro apura desvios de pelo menos R$ 20 milhões em obras de escolas estaduais
Mariana Franco Ramos - Grupo Folha 
Curitiba - O Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado), do MP (Ministério Público) do Paraná, cumpriu nessa quarta-feira (7) mandados de busca e apreensão em 29 residências de empresários e três de ex-servidores públicos. O trabalho integra a 6ª fase da Operação Quadro Negro, que apura desvios de pelo menos R$ 20 milhões em obras de escolas estaduais.
De acordo com o coordenador do órgão, Leonir Batisti, o alvo agora são 22 construtoras. A exemplo da Valor, elas venceram licitações para construir ou reformar colégios entre 2011 e 2015, período investigado. Houve buscas em Curitiba, Campo Largo, Cascavel e Castro. Foram apreendidos celulares, computadores, documentos e seis mil dólares em espécie.
Na capital, o Gaeco também prendeu quatro pessoas em flagrante (duas por posse ilegal de arma de fogo, uma por posse de munição indevida e outra por desacato). "Estamos em busca de outras informações, porque a apuração é de que houve pagamento de propina para proporcionar o desvio de dinheiro público na construção e ampliação das escolas", comenta Batisti.
Ainda segundo ele, a Quadro Negro está em fase final. "Desde o início existiam várias empresas e nós estamos confirmando aquelas em que há alguma indicação de que realmente estavam sendo beneficiadas e em contrapartida pagavam propinas". Os promotores afirmam que o esquema era chefiado pelo ex-governador Beto Richa (PSDB).
OUTRO LADO
A defesa de Beto Richa nega as acusações contra o ex-governador. "As imputações feitas são oriundas de delação premiada e, portanto, visam obter benefícios para aqueles que assumiram participação em ilícitos", diz, em nota.
A Seed (Secretaria de Estado da Educação e do Esporte) também se pronunciou por meio de nota. A pasta informa que foi a primeira a investigar os indícios de disparidades em medições de obras de escolas. "Foi aberta auditoria interna para apuração da situação e os dados foram, então, encaminhados à Polícia Civil, Ministério Público e Tribunal de Contas, para que cada órgão tomasse as providências cabíveis".
Conforme a Secretaria, a gestão Ratinho Junior (PSD) já retomou 80% das obras de escolas envolvidas na Quadro Negro e se cercou de todos os cuidados necessários, atendendo ao programa de Integridade e Compliance implantado no governo.
O programa visa a adoção de um conjunto de medidas, mecanismos e procedimentos internos para "prevenção, detecção e remediação de práticas que podem configurar irregularidades e desvios éticos e de conduta. As ações envolvem todos os servidores, colaboradores e agentes públicos estaduais, além de fornecedores e terceiros que se relacionam com o Estado".


