Em sessão tumultuada, vereadores abrem CP contra petista
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terça-feira, 28 de maio de 2013
Paula Barbosa Ocanha <br>Reportagem Local 
Em sessão extraordinária conturbada, realizada segunda-feira pela manhã, os vereadores da Câmara de Ponta Grossa decidiram por unanimidade abrir uma Comissão Processante (CP) contra a vereadora Ana Maria Branco de Hollenben (PT) por quebra de decoro parlamentar. A vereadora foi denunciada pelo Ministério Público (MP) por falsa comunicação de crime, porque teria forjado o próprio sequestro no dia 1º de janeiro para não participar da votação que escolheria o presidente da Casa.
Uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) demorou pouco mais de três meses para concluir que houve quebra de decoro por parte da vereadora porque ela não compareceu à votação, ''segundo indícios, por motivos escusos''. Por isso o relatório final da investigação indicou a abertura de uma CP, que pode resultar na cassação do mandato da petista. O relatório da CPI foi aprovado em plenário por 19 votos favoráveis e uma abstenção. Os três membros da nova comissão foram sorteados ainda na segunda-feira.
Segundo o presidente da CP, vereador Márcio Schirlo (PSB), embora a comissão tenha prazo inicial de 90 dias para indicar ou não uma sanção à vereadora, os trabalhos devem ser encerrados em até 30 dias. A primeira reunião de trabalho da CP deverá acontecer hoje, às 14 horas, na Câmara.
Troca de acusações
Na sessão extraordinária que aprovou a abertura da CP, um dos suplentes convocados para a votação - já que os cinco vereadores que fizeram parte da CPI mais a própria vereadora acusada estavam impedidos de votar o relatório final - fez outra acusação à Ana Maria. Segundo Francisco Valentin Filho (PDT), o Baixinho, ela o teria procurado através do seu motorista - Reginaldo da Silva Nascimento - e oferecido R$ 50 mil para que ele não votasse favoravelmente ao relatório. Segundo informações do presidente da CP, ainda na tarde de segunda-feira, na sessão ordinária, Ana pediu a palavra e negou em plenário o fato. ''Ela afirmou que ele quem a procurou para pedir dinheiro em troca do voto dele. Eles trocaram acusações'', afirmou.
Procurado pela reportagem, Baixinho manteve sua versão. ''Eles ofereceram cargos para mim e para meu filho mais R$ 50 mil. Seria R$ 20 mil antes da votação e R$ 30 mil depois. Eu fiquei com medo'', alegou. O suplente afirmou à reportagem que ''enrolou'' Ana e o motorista da última sexta-feira até o dia da votação para não pegar o dinheiro oferecido. ''Eu tive medo de falar que não aceitava, então fui enrolando.'' O suplente, no entanto, ainda não denunciou formalmente ao MP o suposto oferecimento de vantagem. ''Estou estudando com o advogado do PDT.'' Baixinho, que já foi vereador de 2005 a 2008, já foi preso por boca de urna. A FOLHA tentou falar insistentemente com a vereadora e seu motorista, mas não obteve sucesso.


