Mesmo com toda a polêmica em torno da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) de Londrina, somente três dos 19 vereadores compareceram na prestação de contas da companhia na manhã de ontem no plenário da Câmara. A audiência foi organizada pela Comissão de Finanças da Casa e somente três integrantes do próprio grupo registraram presença: o presidente, vereador Joel Garcia (PP), o vice-presidente, Roberto Kanashiro (PSDB), e a vereadora Lenir de Assis (PT).
O vereador Roberto Fú (PDT), que é membro da Comissão de Finanças, explicou que não compareceu porque estava ''visitando obras e trabalhando em bairros da cidade''. O vereador Rony Alves (PTB) - que bateu forte na companhia após denúncias de que multas teriam sido canceladas de forma irregular - alegou que no período da manhã estava trabalhando e por isso não pôde participar da reunião. ''Eu queria muito ter estado aqui. Mas eu estava dando aula'', explicou.
Jairo Tamura (PSB), líder do Executivo na Casa, alegou que não recebeu o convite da Comissão de Finanças, ''senão teria participado''. Joel Garcia defendeu os colegas, apesar do grande número de faltas. ''Muitos ligaram e acompanharam a prestação na internet, no site da Câmara. Tivemos mais de mil acessos.''
Prestação de contas
A CMTU informou que, em 2011, arrecadou R$ 10 milhões em multas de trânsito, dinheiro que, segundo o presidente da companhia, André Nadai, foi inteiramente gasto com ações de trânsito, como pagamento de funcionários (R$ 7 milhões aproximadamente), sinalização viária e educação. O dinheiro arrecadado vai para o Fundo de Urbanização de Londrina (FUL), gerenciado pela CMTU. Para alcançar os R$ 10 milhões, foram aplicadas 101.012 multas no ano passado, sendo 54.514 pelos agentes de trânsito; 22.659 multas por 25 aparelhos de vídeo-vigias; 20.743 multas por quatro aparelhos de radar móvel; e 3.096 pelas polícias militar e rodoviária no perímetro do município.
Para administrar o FUL, a CMTU recebe da prefeitura 6% do valor movimentado. Além disso, compõem as receitas da companhia a taxa de 4% de gerenciamento do transporte coletivo e outras taxas, como as cobradas por publicidade dos taxistas e mototaxistas.
As receitas da companhia somaram R$ 14,8 milhões e as despesas alcançaram R$ 15,4 milhões. O prejuízo foi, portanto, de R$ 600 mil. ''Temos muitas ações trabalhistas e algumas ações cíveis de grande valor, além de um parcelamento fiscal de PIS/Cofins'', revelou Nadai. ''Se continuarmos com a política de reorganização que estamos fazendo, podemos zerar o deficit em 10 ou 12 anos.''
Na segunda-feira a Companhia de Habitação (Cohab) prestou contas à comissão e na manhã de hoje é a vez da Sercomtel.

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