Em Rolândia, operação culminou no afastamento do prefeito
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quinta-feira, 11 de outubro de 2018
Simoni Saris e Vitor Struck/Reportagem Local 
Em Rolândia (Região Metropolitana de Londrina), as suspeitas do Ministério Público são sobre os principais integrantes do primeiro escalão da Prefeitura. Nove agentes públicos, além do prefeito, Luiz Francisconi Neto (PSDB), acabaram afastados dos cargos, e a Justiça determinou, também, o uso de tornozeleira eletrônica. Na segunda semana de setembro o Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado) e o Gepatria (Grupo Especializado na Proteção ao Patrimônio Público e no Combate à Improbidade Administrativa) deflagraram a operação Patrocínio, que investigava supostos desvios em contratos com empresas. Nesta semana, o MP ofereceu denúncia à Justiça.

Segundo o promotor Renato de Lima Castro, os desvios se concretizavam de várias formas, como cláusulas de editais dirigidas, fraudes em processos licitatórios ou falsificação de notas fiscais para que os valores apresentados nesses documentos fossem sacados e entregues em dinheiro para fins estabelecidos pelos integrantes do esquema. Eram notas falsas de licitações verdadeiras e serviços não prestados, produtos não entregues ou superfaturados. As fraudes teriam ocorrido em várias áreas da administração, entre elas, saúde, educação e infraestrutura. Foi identificado o desvio de pelo menos de R$ 237 mil dentro do esquema de propina que funcionou sobre contratos que juntos ultrapassam R$7 milhões.
Além de Francisconi, foram afastados o chefe de gabinete, Victor Hugo da Silva Garcia; os secretários municipais Dário Campiolo (Desenvolvimento Econômico), Cláudio Pinho (Educação), Fernando Pina (Cultura), Rosana Alves (Saúde), e Vanderlei Massussi (Infraestrutura); o Procurador-Geral do Município, Carlos Frederico Viana Reis, e o subprocurador Lucas Fernando da Silva; e a servidora pública Carolina Erdei Garcia, mulher do chefe de gabinete e lotada na Secretaria da Cultura.
No final de setembro, Francisconi foi ao Gaeco prestar depoimento, mas segundo o promotor Renato de Lima Castro ele permaneceu em silêncio. O advogado de defesa de Francisconi, Anderson Mariano, havia entrado com recurso no STF (Supremo Tribunal Federal) para que o prefeito afastado pudesse retomar o cargo, entretanto o ministro Gilmar Mendes indeferiu o pedido. Na decisão, o ministro entendeu que o recurso, que pedia extensão de decisão com base na que foi dada ao prefeito de Mauá (SP), não foi adequado. A defesa também entrou com um novo pedido de Habeas Corpus no Superior Tribunal de Justiça. Os demais investigados também negam irregularidades.
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CÂMARA
Na Câmara de Rolândia, uma Comissão Parlamentar de Inquérito foi aberta para apurar as responsabilidades e mediante novos fatos e documentos enviados pelo Gaeco o prazo para a finalização e entrega do relatório da CPI deve ser estendido. Segundo o relator da Comissão, o vereador Irineu de Paula (PSDB), inicialmente havia a denúncia sobre o envolvimento de apenas uma empresa, entretanto, depois da deflagração da operação, outras informações vieram à tona.
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