Em pronunciamento, Bolsonaro defende cloroquina e retoma embate com governadores e prefeitos

Presidente diz que respeita autonomia dos governadores, mas destaca que não foi consultado sobre medidas de isolamento social

Talita Fernandes e Fábio Fabrini/Folhapress
Talita Fernandes e Fábio Fabrini/Folhapress

Brasília - Em pronunciamento em rede nacional nesta quarta-feira (8), o presidente Jair Bolsonaro defendeu o uso da cloroquina em pacientes com o novo coronavírus e afirmou que sempre colocou a vida em primeiro lugar. Bolsonaro disse que respeita a autonomia dos governadores, mas destacou que não foi consultado sobre medidas de isolamento social que fecharam comércios e restringiram a circulação das pessoas. "Respeito a autonomia dos governadores e prefeitos. Muitas medidas de isolamento são de responsabilidade exclusiva dos mesmos. O governo federal não foi consultado sobre sua amplitude", afirmou o presidente.


"Vivemos um momento ímpar em nossa história. Ser presidente é olhar o todo e não apenas as partes. Nosso objetivo principal sempre foi salvar vidas", disse. Este foi o quinto discurso de Bolsonaro sobre a Covid-19, o quarto desde que a OMS (Organização Mundial da Saúde) declarou a pandemia do novo coronavírus.



Pela primeira vez desde o início da pandemia, Bolsonaro se solidarizou com as famílias dos mortos pela doença
Pela primeira vez desde o início da pandemia, Bolsonaro se solidarizou com as famílias dos mortos pela doença | Isac Nóbrega/PR
 




A declaração ocorre após tensões recentes, em especial entre Bolsonaro e o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que chegou a esvaziar as gavetas após o presidente ameaçar "usar sua caneta" contra "ministros estrelas". Bolsonaro repetiu diversas vezes a aliados e em reuniões no Palácio do Planalto que poderia trocar o titular da Saúde no meio da pandemia, mas acabou não fazendo a mudança em um momento em que se viu isolado.


Pela primeira vez desde o início da pandemia, Bolsonaro se solidarizou com as famílias dos mortos pela doença. No pronunciamento desta quarta-feira, o presidente voltou a repetir o discurso do diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, e disse que "cada país tem suas particularidades, a solução não é a mesma para todos".


Bolsonaro voltou a usar a fala do dirigente de forma distorcida para defender a retomada das atividades no Brasil. Ele disse que "os mais humildes não podem deixar de se locomover" e voltou a repetir que as consequências das paralisações não podem ser mais danosas do que a doença em si.


"Com esse espírito instruí meus ministros após ouvir pesquisadores, cientistas e chefes de estado sobre a possibilidade de tratamento", afirmou, ao defender o uso da hidroxicloroquina.


O presidente disse ainda ter conversado com o médico Roberto Kalil, que admitiu ter usado o medicamento para tratar-se da Covid-19. "[Ele] não só usou bem como a ministrou para dezenas de pessoas. Estão todos salvos", afirmou o presidente. Segundo Bolsonaro, o médico teria dito que preferiu usar a hidroxicloroquina apesar da ausência de estudos conclusivos sobres seus efeitos para não se arrepender no futuro.


O presidente disse ainda que o médico "poderá entrar para história como tendo salvo milhares de pessoas"


Em discursos anteriores na TV, Bolsonaro criticou explicitamente governadores dos estados por adotarem medidas de isolamento social, e também a imprensa por criar, segundo ele, "pânico" na população. Em uma das falas, chamou a doença de "gripezinha" e disse que seu "histórico de atleta" o impediria de ter complicações caso contraísse a doença.




Bolsonaro tem defendido o isolamento apenas parcial da população, dos grupos com maior risco de contaminação, de forma que parte dos trabalhadores possam sair. Para especialistas e o próprio Ministério da Saúde, a estratégia é ineficaz.


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