Em pleno 2018, pouca representatividade feminina
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quarta-feira, 07 de março de 2018
Vitor Struck<br>Especial para a FOLHA 

"É muito baixa", lamenta Daniele Zieber (PPS), a única vereadora dentre os 19 parlamentares no atual Legislativo londrinense, sobre a participação feminina. Por aqui, as mulheres perderam espaço na Câmara, já que a legislatura anterior (2012-2016) contava com três vereadoras.
"Por conta de uma soma de fatores. As mulheres buscam igualdade e reconhecimento, porém a política ainda é muito machista, o que acaba causando esta desproporção totalmente errônea", afirma.
Só para se ter uma ideia, dos 148 vereadores que a cidade já elegeu, apenas 11 eram mulheres. A pioneira foi Armanda Sabino Lopes, que exerceu a vereança entre 12 de dezembro de 1958 e 11 de dezembro de 1959. Em seguida, houve um hiato de quase duas décadas até Vera Esperança Manella Cordeiro assumir uma cadeira, em 1978. Com a reeleição e o mandato tendo duração de cinco anos, Vera permaneceu até 1988 na Casa.
A baixa representatividade feminina na atuação parlamentar também existe na Assembleia Legislativa (quatro deputadas entre 54 vagas) e no Congresso (54 deputadas federais para 513 vagas veja box).
Na opinião do Professor de Ética e Ciência Política da UEL (Universidade Estadual de Londrina) Clodomiro Bannwart, este fator está ligado diretamente à estrutura coronelista que permeou a política brasileira até a década de 30.
"Até Getúlio Vargas você vai ver a política na mão de coronéis, já que era uma demonstração de força e poder econômico na sociedade, o que, com a criação da justiça eleitoral, buscou-se um equilíbrio" lembra.
A presença feminina na Câmara de Londrina continuou com Iracema de Mello Mangoni (89-92), Lygia Pupatto (1993-96), Elza Correia (1997-00/2001-03/2013-16), Márcia Lopes (2001-04), Sandra Graça (2001-04/2005-08/2009-12/2013-16), Maria Angela Santini (2005-08), Vera Lúcia Rubbo (2008) e Lenir de Assis (2009-12/2013-16), até a eleição de Daniele Ziober (2017-20).

Outra bandeira
A parlamentar não se posicionou como "feminista" para conquistar 4.302 votos, mas trouxe a causa animal como principal bandeira. Até agora foram sete Projetos de Lei apresentados, como o que autoriza a viagem de animais domésticos no transporte coletivo e o que instituiu no calendário oficial do município o dia dos animais, além de uma semana dedicada ao cuidado dos bichinhos. Mas um pequeno descuido em fevereiro do ano passado não passou em branco.
Após postar nas redes sociais a frase "procurando alguma feminista pra ajudar a descarregar o caminhão... direitos iguais até chegar a carga de cimento", o estagiário de uma construtora de Maringá foi demitido. O vereador Filipe Barros (PRB) resolveu fazer uma moção de apoio ao jovem, o que acabou levando a assinatura de diversos vereadores, inclusive o da única mulher da Casa. Daniele justifica que a moção não contextualizava o fato e assinou sem saber da polêmica.
"Tentei mudar, expliquei que não sabia porque não especificava, ainda bem que não era nenhum projeto", diz Ziober, com a sensação de página virada.
Atualmente, o projeto que ela considera a "menina dos olhos" é o que o proíbe a exposição animal em pet shops "para evitar a compra compulsiva e o posterior abandono", além de regulamentar os criadores. "Para que não haja criador clandestino" comenta.
Ainda no primeiro mandato, Zieber diz que é a favor da reeleição, "mas apenas uma vez", por conta, muitas vezes, da demora na tramitação de projetos.
"Acho que os partidos poderiam fazer mais reuniões, chamamentos a mulheres e trazer mais gente nova", afirma, sobre a participação feminina.
Reforma
Em 2015, o projeto da reforma política instituído pela lei 13.165 buscou equilíbrio, mas o resultado não apareceu, com a obrigação formal nas eleições de 2016. Dentre os eleitores, 52% são mulheres, mas dentre os candidatos, apenas 31,89% eram do sexo feminino. Além disso, em 1.286 cidades (dentre 5.568) não houve nenhuma candidata ao cargo de vereadora.
"Mas esta reforma pode ter um engodo, porque foi feita pelo Eduardo Cunha (que hoje está preso), o que escondia muitos outros interesses, e tem outro subterfúgio, o dinheiro do fundo partidário", lembra Clodomiro Bannwart.
O professor destaca que a mudança na política que a sociedade tanto quer é baseada na renovação e "na prática não funcionou", porque, com a obrigação de formarem novos quadros, os partidos usariam recursos do fundo, além de serem retirados do poder.
Executivo
Na gestão do prefeito Marcelo Belinati (PP), dentre 16 secretarias apenas quatro membros do primeiro escalão são mulheres: Maria Tereza Paschoal (Educação), Roberta Queiroz (Ambiente), Nádia Moura (Assistência Social, Idoso e Políticas para as Mulheres) e Darling Maffato (Planejamento, Orçamento e Tecnologia).


