Em nova denúncia, Lava Jato acusa Paulo Preto de lavagem de R$ 1,38 milhão no exterior
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terça-feira, 25 de junho de 2019
KATNA BARAN/Folhapress 
Curitiba - A força-tarefa Lava Jato no Paraná apresentou nova denúncia contra Paulo Vieira de Souza, conhecido por Paulo Preto, ex-diretor da Dersa, empresa estatal paulista de construção e manutenção de rodovias. Apontado como operador financeiro do PSDB, ele é acusado de lavagem de dinheiro de US$ 400 mil em 2016.
Paulo Preto está preso em Curitiba desde fevereiro, quando foi deflagrada a 60ª fase da operação Lava Jato. Em março, ele já fora condenado a 145 anos de prisão por fraude nas obras do Rodoanel Sul em São Paulo, acusado dos crimes de peculato, associação criminosa e inserção de dados falsos em sistema público.
Preto foi diretor da Dersa entre 2005 e 2010, durante os governos de Geraldo Alckmin e José Serra (ambos do PSDB). Ele também recebeu 27 anos de condenação por fraude a licitação e formação de cartel por irregularidades em obras do trecho sul do Rodoanel e do Sistema Viário Metropolitano de São Paulo, entre 2004 e 2015.
Segundo o MPF (Ministério Público Federal) narra na nova denúncia, o ex-diretor transferiu o dinheiro de uma conta na Suíça para outra em Hong Kong, por meio de offshores e com o apoio do doleiro Wu-Yu Sheng e do operador financeiro Rodrigo Tacla Duran.
Para finalmente ter acesso à quantia no Brasil, Duran teria realizado quatro entregas do valor equivalente em reais –somando R$ 1,380 milhão – a Preto, entre maio e junho de 2016. De acordo com a denúncia, entre as provas do crime estão registro do celular do ex-diretor, em que constaria "Grude - OK Rui Rei", sendo "Rui Rei" um dos codinomes utilizados por Duran.
O apelido foi admitido por ele mesmo, em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito da JBS.
Na denúncia, o MPF pediu a decretação de nova prisão cautelar do ex-diretor. Os procuradores receberam informações e provas via cooperação internacional atestando que, enquanto estava solto, Preto continuou movimentando dinheiro a partir de uma conta aberta nas Bahamas. A reportagem tentou contato com a defesa do ex-diretor, mas não obteve retorno até a publicação deste texto.


