Em meio a escândalo do Banco Master, Flávio Bolsonaro lança pré-candidatura de Moro
Pré-candidato à Presidência esteve em Curitiba para lançamento oficial de Sergio Moro ao governo do Paraná
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sexta-feira, 29 de maio de 2026
Pré-candidato à Presidência esteve em Curitiba para lançamento oficial de Sergio Moro ao governo do Paraná

Curitiba - O senador Flávio Bolsonaro (PL-PR) esteve na noite desta sexta-feira (29) em Curitiba para lançar oficialmente a pré-candidatura do senador Sergio Moro (PL-PR) ao governo do Paraná. Em evento organizado pelo PL e pelo Partido Novo, também foram lançadas as pré-candidaturas ao Senado do deputado federal Filipe Barros (PL-PR) e do ex-procurador e ex-deputado Deltan Dallagnol (Novo).
Em meio à repercussão da divulgação do áudio que mostra Flávio Bolsonaro pedindo R$ 163 milhões para o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, o tema sequer foi citado pelos pré-candidatos. Em coletiva após o evento, Sergio Moro, Deltan Dallagnol e Flávio ignoraram as perguntas sobre a ligação do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro com o presidente do Master, que está preso desde março.
Na última quarta-feira (27), em entrevista à Globo News, o presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, disse que Flávio Bolsonaro se encontrou com Daniel Vorcaro, depois que o dono do Master foi preso, para “pedir o restante do dinheiro” – ele teria recebido R$ 61 milhões e teria se encontrado com Vorcaro para cobrar o restante do recurso prometido, que supostamente seria investido na produção do filme sobre Jair Bolsonaro. Flávio também ignorou a pergunta sobre a fala de Costa Neto.
O único que comentou o escândalo do Banco Master foi Filipe Barros, após o evento. “Não há envolvimento do Flávio com o Vorcaro. Era um investimento do Vorcaro, que colocou seu dinheiro no filme para ter um lucro depois”, disse. “O que Lula estava fazendo fazendo reunido com o futuro presidente do Banco Central (Gabriel Galípolo), Vorcaro, Guido Mantega (ex-ministro da Economia) e demais integrantes do PT? O Lula recomendou que o Banco Master não fosse vendido ao BTG. Quem fez uma oferta de compra foi o grupo Fictor. Quem era o contratado pelo Grupo Fictor? Era o Lulinha (Fábio Luís da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, questionou.
Barros, que até o início do ano era aliado de Ratinho Junior (PSD), ainda alfinetou o grupo que permanece ligado ao governador e apoia a pré-candidatura do deputado federal Sandro Alex (PSD) ao governo. “Este evento reuniu a verdadeira direita”, afirmou. O deputado disse ainda que tem conversado com o ex-senador Alvaro Dias (MDB). “Sabemos que essas composições partidárias vão ser definidas até o período das convenções. O Alvaro, se pegarmos seu histórico, sempre foi um senador combativo em relação ao PT”, disse.

Terrorismo
Em sua fala durante o evento, Sergio Moro destacou que Flávio Bolsonaro esteve nesta semana nos Estados Unidos para conversar com o presidente Donald Trump. Após o encontro, o governo norte-americano classificou as organizações Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como “terroristas” – o que poderá gerar sanções econômicas para o Brasil e abre a possibilidade de uma intervenção armada.
“Em dois dias, Flávio Bolsonaro fez mais pela segurança pública que o PT em 20 anos. Quem ficou triste foi o Lula”, disse Moro. O senador garantiu que vai criar uma “agência anticorrupção” no estado caso seja eleito governador e prometeu “livrar o Paraná da corrupção” – mesmo sem ter citado nenhum caso de corrupção desde 2023, quando assumiu o mandato de senador. Moro confirmou ainda que seu candidato a vice deverá ser Edson Vasconcelos, presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep).
Em seu discurso, Flávio Bolsonaro classificou a condenação de Jair Bolsonaro e dos envolvidos na tentativa de golpe de Estado de 2023 como uma “grande farsa” e que Lula foi para os Estados Unidos, no início do mês, para “lamber as botas do Trump”. “O sistema não suporta um presidente honesto”, disse o senador sobre o próprio pai.
Também estiveram presentes o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, o vice-prefeito de Curitiba, Paulo Martins (Novo) e deputados federais e estaduais.



José Marcos Lopes
Repórter colaborador baseado em Curitiba, com foco em política estadual.


