Em meio a denúncias, Demóstenes deixa liderança
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terça-feira, 27 de março de 2012
Gabriela Guerreiro <br> Folhapress 
Brasília - O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) pediu ontem para deixar a liderança do DEM no Senado. Em meio às denúncias de ligação com o empresário do ramo de jogos Carlos Cachoeira, Demóstenes enviou carta para o presidente do partido, senador José Agripino (DEM-RN), formalizando o pedido para se afastar da liderança. ''A fim de que eu possa acompanhar a evolução dos fatos noticiados nos últimos dias, comunico a Vossa Excelência o meu afastamento da liderança do Democratas no Senado Federal'', afirmou em carta de três linhas endereçada a Agripino, que assumiu ontem mesmo a liderança do DEM.
O novo líder afirmou que a situação de Demóstenes é ''incômoda'' porque sobre ele pairam dúvidas que não foram esclarecidas. Agripino afirmou ainda que o partido não convive com a falta de ética e que, caso as denúncias sejam comprovadas, Demóstenes será expulso.
Abatido, Demóstenes passou a manhã em seu gabinete no Senado, mas não circulou pelos corredores da Casa. O democrata procurou líderes partidários para pedir apoio político. Disse que espera o julgamento criminal pela Procuradoria Geral da República, mas espera ser poupado de um processo no Conselho de Ética do Senado - que poderia lhe acarretar a perda de mandato. Em conversa com o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), pediu apoio do PMDB ao seu nome. Renan disse que, se há investigações no Ministério
Público, não vê necessidade de investigação política contra Demóstenes.
O senador do DEM admite que recebeu de Cachoeira um telefone especial para conversas entre os dois. A investigação policial gravou cerca de 300 diálogos entre o senador e o empresário de jogos por pelo menos oito meses. O democrata também ganhou de Cachoeira um fogão e uma geladeira, presentes que segundo Demóstenes foram oferecidos por um ''amigo'' quando se casou no ano passado.


